O estímulo da concorrência

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Quem decide empreender deve ter em mente que vai viver uma rotina de desafios constantes. Isso vale tanto para aquela pessoa que acabou de abrir seu negócio e ainda está tentando colocar sua empresa nos eixos quanto para o empresário com experiência no mercado, que precisa se reinventar todo o tempo. Há poucos dias, li uma história bem ilustrativa dessa situação no Jornal de Negócios do Sebrae-SP, sobre como um empreendedor conseguiu encontrar saídas para sua loja de materiais de construção, que estava defasada e sofrendo forte concorrência.

O estabelecimento comercial, localizado em Campinas, está instalado há mais de dez anos em uma região onde, mais recentemente, foram abertas duas grandes megalojas de lar e construção, que investem pesado em promoções e propaganda. E, embora ainda atraísse uma clientela antiga do bairro, que vinha em busca de um atendimento mais personalizado, o faturamento sentiu o peso dos concorrentes e de uma certa acomodação natural.

No final do ano passado, porém, os gestores da loja sentiram que precisavam mudar. Com a orientação do Sebrae-SP, algumas ideias começaram a ser colocadas em prática: os antigos balcões deram lugar ao sistema de autosserviço, eliminando a necessidade de fazer os pedidos a um atendente, o que chegava a gerar filas em dias de maior movimento. A iluminação foi duplicada, a acessibilidade melhorou e os produtos foram organizados em gôndolas para facilitar a vida dos clientes. Produtos de baixo valor, como parafusos, passaram a ser vendidos em kits. O marketing recebeu mais atenção, principalmente nas redes sociais. A transformação recebeu elogios dos clientes e, em breve, deve se traduzir em impactos positivos no caixa da empresa.

A lição que tiro dessa história é que onde muitos poderiam lamentar a concorrência desigual e desistir, o empreendedor determinado foi capaz de identificar seus pontos fortes e investir neles: o atendimento personalizado, o conhecimento técnico que os vendedores tinham dos produtos, a facilidade de acesso. Também encarou de frente suas falhas e se abriu para mudanças, procurando ajuda especializada para orientar o planejamento e a execução. O sentimento de que a mudança era necessária estava presente, mas o empresário foi capaz de dar o passo além – e são esses que sobrevivem aos tempos difíceis. Para o que seu negócio precisar, conte com o Sebrae-SP.

Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

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