Há 109 anos a Terra recebia o maior impacto de asteroide da era recente. Se acontecer de novo…

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Livio Oricchio
Olá amigos, escrevo de Baku, no Azerbaijão. País interessante de se conhecer, por estar a meio caminho entre a cultura ocidental e oriental. A cidade é moderna, reflexo da economia crescente da nação (era uma das 15 repúblicas soviéticas até a independência, em 1991), rica em petróleo e gás, banhada pelo mar Cáspio.

Mas o assunto hoje não é o Azerbaijão, mas um episódio impressionante que aconteceu não longe demais daqui, na Sibéria, no dia 30 de junho de 1908. Nem todos sabem: foi nesse dia que a Terra recebeu o maior impacto de um asteroide nos tempos relativamente modernos.

Você já ouviu falar alguma vez em Tunguska? Pois esse é o nome do rio que cruza a região russa onde às 7 horas da manhã, há 109 anos, o céu brilhou intensamente, deixando muito assustados os raros habitantes nômades siberianos que se encontravam, felizmente, a centenas de quilômetros dali. Não há registro de vítimas em função do isolamento de Tunguska, em especial há mais de um século. O tema ainda hoje gera especulação e estudos. Isso porque não há, por exemplo, uma cratera de impacto.

Imagens registradas depois do acidente espacial mostram uma região maior que a da cidade de São Paulo, com 1.500 quilômetros quadrados, completamente devastada. A explosão, estimada entre 10 e 15 megatons, equivalente a mil bombas de Hiroshima, queimou ou tombou 80 milhões de árvores e causou um terremoto de 5 graus na escala Richter, portanto elevado.

Recomendo ver este vídeo do Youtube, com imagens registradas depois da explosão, em Tunguska:

As pesquisas mais recentes indicam que um asteroide entre 60 e 100 metros de dimensão, pesando algo como 400 mil toneladas, passou pelas camadas mais altas da atmosfera da Terra e a temperatura atingida no contato com o ar mais denso foi tão alta que ele explodiu a cerca de 8 mil metros do solo. Por essa razão não há uma cratera de impacto. A explosão pulverizou o asteroide. Os danos na superfície foram provocados pela monstruosa onda de choque e o súbito aumento da temperatura do ar.
Estima-se que um asteroide desse tipo atinja a Terra a cada 100 ou 150 anos. A Nasa mantém um programa de monitoramento de todo corpo detectável que se desloca ao redor do Sol com órbita que passe perto da Terra, a fim de que se acontecer de um estiver na rota do outro a humanidade pensar numa solução. Um asteroide do tipo do de Tunguska destruiria quase por completo uma cidade como Nova York e deixaria milhões de mortos. É assustador, não?

A maior preocupação com esses asteroides em rota de colisão com a Terra é detectá-los o quanto antes, anos, se possível, a fim de haver tempo de se elaborar uma ação eficiente para tirá-lo dessa órbita, como explodir algo próximo dele no espaço, para provocar a mudança de rota, dentre outras possibilidades, mas todas igualmente complexas, demoradas, caras e ainda não testadas.

Como em reconhecimento à importância do episódio de Tunguska, a comunidade científica instituiu o dia 30 de junho como Dia do Asteroide. Sexta-feira agora, dia 30, o mundo astronômico celebrará a terceira edição do Asteroid Day.

Para se ter uma ideia do respeito pela iniciativa, além da ONU, as principais agências espaciais internacionais aderiram ao Asteroid Day, como Nasa, dos Estados Unidos, ESA, Europa, Jaxa, Japão, e Royal Astronomical Society, dentre outras.

Você pode conhecer as iniciativas programadas, como palestras, debates, apresentação de estudos, com astrônomos, astrofísicos, cosmonautas, tudo de nível bastante alto. Dê uma olhada no site oficial do Asteroid Day: http://www.neoshield.eu/asteroid-day-2017-live/

Os organizadores vão transmitir tudo ao vivo. Recomendo. Abraços.

liviooricchio@gmail.com

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