Integridade de caráter

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Algumas questões na existência humana não podem ser divisíveis, mutáveis e incertas. Ou se mantêm compactas em sua integridade ou perdem sua função.
O caráter, na contemporaneidade, é visto como virtude que não vem com a nossa nascença. É possível apreender. Sua expressão tem em seu imo o conceito de vir, o que nos leva à acepção de onde vem.
Assim como a temperança, a virtude é um valor ético que necessita estar em prática, em constante provação, para seu aperfeiçoamento, para sua aplicabilidade.
Já as características adjacentes, as formas de agir e reagir, o nexo de atitudes formam o caráter do indivíduo. Todos somos formados de vícios e virtudes, mas não temos a prerrogativa de flexibilidade no caráter. Ou se é bom caráter ou se é mau-caráter.
Atributo permanente do mau-caráter é sua infidelidade, seu ato atraiçoado de agir com seus “companheiros e com sua própria essência”. Todo ser desprovido de caráter é desleal, falso, pérfido e traidor. Age carente do sentimento de lealdade, de companheirismo, e as circunstâncias momentâneas sem lastro e sem responsabilidade são seus guias.
Morno na essência, desonesto na ação, o despojado de caráter é covarde, bajula os que os podem oferecer benesses; e é morno ou arrogante os que não o beneficiam diretamente.
John Wooden, consagrado jogador e treinador de basquetebol já nos alertava: “Preocupe-se mais com o seu caráter do que com sua reputação. Caráter é aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é.”
Escravos da reputação do floreio galanteador da adulação, flexibilizamos o caráter e nos tornamos iníquos, tirânicos, corruptos em nossas ações.
Olvidamos da virtude e caímos descaradamente nos vícios da contemporaneidade, das frivolidades.
Perdemos a referência e buscamos apenas o cômodo sucesso ao invés de sermos uma pessoa de valor. Deslembramos acintosamente que o caráter é um vaticino de nossa fortuna, e quanto maior a inteireza, probidade, integridade que temos e mantemos, mais simples e altivo este destino tem probabilidade de ser magnânimo.
Afinal, ter ou não ter caráter é uma questão de opção.
Henrique Matthiesen
Bacharel em Direito
Jornalista

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