O SINO DA MINHA ALDEIA

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(x) JUAREZ ALVARENGA

É meia noite o sino da minha aldeia bate. A cidade
descansa da realidade. Vou até a cozinha e bebo um TODDY. A noite está
distante da manhã, mas já penso nas varredeiras de ruas. É minha cidade um
paraíso noturno.

Tento numa analise poética e real retratar. Vejo
os meninos ir para o grupo. Os comerciantes abrirem seus restabelecimentos.
Os fazendeiros partirem para suas fazendas. Lembro do Pedro que não sabem
distinguir os dias da semana, mas é bastante inteligente para ser feliz.
Recordo do Lúcio o intelectual sem faculdade. Compartilho com o Zeca o
Jornaleiro da cidade ou melhor, o político, pois tem penetração nas várias
facções da sociedade. Penso nas novas burguesas universitárias que vem
passar férias na sua fazenda e em vez de trazer livro de cálculo traz o novo
lançamento Lygia Fagundes Telles. Elogio o Ademar que passou em primeiro
lugar no concurso de Promotor sem tradição intelectual.

O sino da minha aldeia é agudo e profundo.
Bonito e verdadeiro. Simétrico e poético. Gosto de ouvir bater e entender
sua lógica. Caminhar o dia com determinação e esperar a noite com alegria.

O sino de minha aldeia é sintoma de felicidade.
É o lago onde vemos no fundo a alegria de viver.

O sino da minha aldeia é novela das seis nos
meus ouvidos. É realidade suave e branda. É uma poesia em forma de lances
mirabolantes.

Bate o dia inteiro e seu ego é uma música
distante. É felicidade atingível e bem perto de mim.

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