Nasa apresenta amanhã as últimas descobertas do satélite Kleper, o caçador de planetas

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Livio Oricchio, de Nice, França

Olá amigos

Faz já algum tempo que não falamos de ciência. Vale a pena tratarmos do tema, hoje. Isso porque a Nasa organizou para amanhã, segunda-feira, dia 19, uma conferência de imprensa no seu centro de pesquisa de Moffett Field, na Califórnia.

Os mais renomados astrônomos, astrofísicos, biólogos, bioquímicos envolvidos com os estudos do telescópio espacial Kepler vão falar sobre as últimas descobertas desse projeto espetacular que já detectou cerca de 1.300 planetas extrassolares ou exoplanetas.

O satélite Kleper foi lançado em 2009 para ficar em órbita terrestre, monitorando uma pequena porção do espaço. Ele focaliza estrelas e acompanha quando algo passa na sua frente, como acontece quando nós, aqui da Terra, podemos ver, por exemplo, o planeta Vênus passar em frente o sol, fazendo o seu trânsito.

O Kleper detecta planetas quando eles realizam seu trânsito. Trata-se de um telescópio altamente sensível. Apesar de seu foco ser bastante reduzido, Kleper encontrou milhares de planetas.

Eles são mais comuns no universo do que podíamos imaginar. Até 1995, por incrível que possa parecer, nós não havíamos detectado nenhum planeta, ainda, além dos oito do nosso sistema solar. Depois disso, várias técnicas foram desenvolvidas para identificá-los.

Atualmente nós não apenas os encontramos como descobrimos uma série de suas características, como dimensão, se como a Terra, 12 mil km de diâmetro, ou Saturno, 116 mil km, se rochoso, como a Terra, ou gasoso, a exemplo de Júpiter.

O Kleper nos permite saber, também, o período orbital do planeta, se como a Terra, 365 dias terrestres, ou 164 anos dos nossos, como Netuno. Mais: temos uma boa ideia da temperatura média na superfície, se como na Terra, em que a água pode se manter em estado líquido, ou como Vênus, 450 graus Celsius, ou ainda Urano, com seus mais de 200 graus negativos.

Não acabou: o estudo do trânsito dos planetas extrassolares nos dá uma ideia de terem ou não atmosfera e qual a sua composição. Se rica em Nitrogênio e Oxigênio, como a Terra, ou gás carbônico e ácido sulfúrico, como Vênus.

Repare que esses dados nos permitem, em essência, começar a entender se existe possibilidade de vida nesses planetas.

Esse foi o motivo de a Nasa destinar tantos recursos para o projeto do satélite Kepler, encontrar planetas com as características da Terra e, desse forma, descobrir se são potencialmente habitáveis, se existe a possibilidade de manter formas de vida. De 2009 a 2013 o projeto surpreendeu a comunidade científica.

Um problema técnico afetou seus giroscópios, impossibilitando o controle da Terra. Mas um operação chamada K2 restituiu uso do satélite com a ajuda de potentes telescópios instalados na Terra.

Nesses oito anos de atuação, o caçador de planetas, como ficou conhecido, o Kleper fez descobertas espetaculares. A primeira, e mais importante, é a que de sistemas solares são infinitamente mais comuns do que se pensava.

Acredite: a grande maioria das cerca de 200 bilhões de estrelas da Via Láctea, a nossa galáxia, tem planetas orbitando-as. E como há algo como 200 bilhões de galáxias no universo, você pode ter uma ideia do número de planetas existente. Com um campo de estudo do espaço bastante reduzido e com as restrições naturais das técnicas de detecção, o Kleper descobriu alguma coisa perto de 1.300 planetas em potencial.

A Nasa já divulgou parte de seus achados, como o sistema da estrela Kleper 20, com 5 planetas. O impressionante planeta Kleper 16b, que orbita duas estrelas e, imagine, em zonas habitáveis, ou seja, a temperatura da órbita permita a água manter-se em estado líquido, fundamental para o desenvolvimento de vida.

Dá para sonhar o que a Nasa vai anunciar amanhã, no quarto relatório de descobertas da missão Kleper? É possível acompanhar o evento ao vivo através do site www.nasa.gov Em outubro do ano que vem a Nasa vai lançar o sucessor do telescópio Hubble, o James West. E uma das suas missões será também a de descobrir novos planetas Terra no Universo, novos lares onde possa haver vida.

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