Sem tempo para lamentações

229

Eles são 1,8 milhão só no Estado de São Paulo e mais de 7 milhões no Brasil. Os Microempreendedores Individuais, os chamados MEIs, formam uma categoria relativamente nova (foi criada em 2008), mas não menos importante na economia. Paralelamente, fazem parte dos que têm sentido intensamente os efeitos da crise.
Segundo o mais recente levantamento do Sebrae-SP, os MEIs chegaram a fevereiro amargando 19 meses seguidos de queda no faturamento; justamente o grupo que abrigou tantos desempregados que viram no negócio próprio a solução para voltar a ter renda.
Mas, mesmo com as dificuldades, esse tipo de empreendedor sinaliza não ter tempo para lamentações. Percebemos isso em outra pesquisa do Sebrae-SP, a MEI 2017: nela 86% dos MEIs paulistas disseram estar satisfeitos ou muito satisfeitos em pertencer à categoria.
Diante da recessão, seria cômodo (e também inútil, ressalto) adotar aquela postura de reclamar da situação do País, dos impostos, da burocracia, da política, do governo. Claro que tudo isso pesa e pode atrapalhar muito o desempenho de qualquer negócio. Mas, em vez de ser tomado pela apatia ou desânimo, o MEI mostra preferir concentrar seus esforços em colocar a mão na massa.
Como é natural, ganhar dinheiro é uma das principais motivações para empreender – 79% dos entrevistados na pesquisa assim disseram. Contudo, 81% afirmaram ser movidos pela independência proporcionada pelo negócio próprio. A autonomia para fazer a seu modo é muito valorizada e explica o porquê do contentamento em ser MEI.
No entanto, resta ainda muito a ser aperfeiçoado, já que parcela significativa dos MEIs peca na gestão. O estudo do Sebrae-SP aponta que 47,4% deles não fazem controle mensal das vendas de produtos ou serviços. Sem o acompanhamento de algo tão básico, não é difícil concluir que as coisas vão sair do trilho mais cedo ou mais tarde. Se não sabe quanto vende, não sabe direito quanto entra de dinheiro, nem quanto tem em caixa para cobrir despesas, quanto é lucro etc.
Aperfeiçoar a gestão é um dos pontos críticos na vida do empreendedor. Não basta conhecer a fundo seu ofício e trabalhar com afinco. Sem uma administração correta, a possibilidade de prosperar se reduz muito. Quem não gerencia bem as finanças acaba no vermelho; quem não sabe calcular estoque perde dinheiro e por aí vai.

A saída é buscar qualificação. Ao se capacitar, o MEI aprende a fazer um bom planejamento, a lidar melhor com as adversidades e aproveitar oportunidades. Estar preparado é a pedida para não ficar pelo caminho. O Sebrae-SP está à disposição para ajudar.

Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA