“Lago Azul” Completa 45 Anos no 190º Aniversário de Rio Claro

As nascentes do Córrego da Servidão, que serviram na pré-história para aldeamentos indígenas (pouso de tropas desde o século XVIII), em 1960 eram um brejo nativo onde se praticava a horticultura. Represadas no início dos anos 70 deram origem ao “Lago Azul”. Sua nomenclatura oficial é “Parque dos Italianos” (indicação do ex-vereador Sérgio Carnevale).

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Paisagem do “Lago Azul” vendo-se o Centro Cultural

Localizado ao norte da cidade, entre os Bairros de Santana e Vila Aparecida, abrange área de cinco alqueires.
Construído na empreendedora administração do prefeito Dr. Álvaro Perin, foi tecnicamente criado para conter parte das águas pluviais decorrentes dos sistemas da Vila Martins e Vila Operária, incrementando o desenvolvimento turístico e o lazer do Município.
Neste período houve a canalização do Córrego da Servidão, na extensão de 2 500m, sob a avenida Visconde do Rio Claro, facilitando o tráfego entre os bairros e saídas da cidade.
O “Lago Azul” com sessenta mil metros quadrados, contornado com enrocamento de pedras brutas, área paisagística plantada com árvores frutíferas e ornamentais, jardins, passeios, foi inaugurado em 24 de junho de 1972.
Das principais obras (que o tornaram uma reserva ecológica, importante área de lazer, verdadeiro culto à ciência e à natureza) realizadas nas gestões dos prefeitos Oreste Armando Giovani e Azil Francisco Brochini, destacam-se a construção de galerias, do sistema viário de entorno (a rotatória da avenida 40 com a rua 2, que serviu como acesso ao estacionamento do parque, a duplicação da avenida 32), da ilha, criadouro de aves, e do sistema de oxigenação da água para garantir a sobrevivência dos peixes; nova iluminação; reposição de árvores frutíferas para servir de alimento aos peixes e chamariz de pássaros; canteiros de rosas, o Monumento ao Sesquicentenário; praças poliesportivas; “playgrounds”; bicicross; campo de futebol, de bocha e malha; bar e pedalinhos… Anexo, o Centro Cultural.
Na atualidade, o “Parque Municipal do Lago Azul”, patrimônio ambiental, relevante área verde e de lazer dos rio-clarenses, está em profunda degradação. O lago, assoreado, sujo e poluído (por areia contaminada, lixo doméstico, esgotos, animais mortos, ratos, pombas, baratas…) exala fétido odor que impregna o ambiente. A elevada mortandade de peixes decorre da danificada máquina de oxigenação da água (à noite, os jatos d´água de oxigenação propiciavam visual ainda mais bonito). Da mureta de pedras que o margeava, grande parte foi substituída por estruturas de madeira com tela de arame. Patos, paturis e peixes que se criam no lago estão altamente infectados e sem alimentos. Garças, biguás e mergulhões, que até pouco tempo “pescavam” seu alimento, agora são em número menor.
O conjunto arbóreo definha. Lagartas banqueteiam nas palmeiras enfileiradas defronte o Monumento ao Sesquicentenário. Pichado, exibi a escultura em bronze do “escravo” (da autoria de Vilmo Rosada) e a placa informativa foi subtraída. Do “relógio do sol” restam vestígios. Precárias são as instalações das quadras de esportes, do campo de futebol, do campo de “gateball” “Mitiko Matsushita Nevoeiro” e a pista de atletismo “Dr. Argemiro Dolce”.
E os banheiros? E os “pedalinhos”? E as dezenas de ovos contagiados postos diariamente pelas aves? E a segurança? A iluminação? E o batalhão de visitantes e de pessoas que praticavam “cooper” no local?
Em melhor condição não se encontra o edifício do Centro Cultural.
Sem manutenção, as fachadas exibem espessas camadas escuras de sujeiras solidificadas. Nas paredes, ao seu redor, as pichações se alastram. Internamente, nos dois pavimentos, infiltrações das chuvas que comprometem as estruturas. A plateia do Teatro, os camarins, o salão de ensaios, depósito, marcenaria e montagem de cenários são os locais mais afetados por centenas de goteiras. Seguidos do Auditório e da Biblioteca. As fiações elétricas, os livros, documentos, vídeos, o piano e a caríssima aparelhagem técnica para gravações deterioram com o efeito estufa. O aparelho de ar-condicionado é insuficiente. Insetos e pombas se multiplicam. Os espetáculos mínguam.

 

Prefeito Dr. Álvaro Perin
Prefeito Dr. Álvaro Perin
Ilha com criação de aves
Ilha com criação de aves
Vista aérea do “Lago Azul”
Vista aérea do “Lago Azul”
Placa alusiva ao Dr. Dolce apodrecida
Placa alusiva ao Dr. Dolce apodrecida
Vista do “Lago Azul” com cercadura danificada
Vista do “Lago Azul” com cercadura danificada
Prédio do Centro Cultural visto do “Lago Azul”
Prédio do Centro Cultural visto do “Lago Azul”

 
Anselmo Ap. Selingardi Jr.
Perito Judicial em Arqueologia e Documentação Histórica
Inscrição: N. 1417 SP

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