Há 77 anos, na França, inesperadamente 340 mil homens eram salvos

324

Livio Oricchio

Início

Olá amigos

O assunto hoje é história. Dia 4 de junho de 1940, portanto há exatos 77 anos, é uma data lembrada com muita alegria pelos britânicos. E, por mais paradoxal que possa parecer, com profundo pesar. Nesse dias eles concluíram a retirada de nada menos de 340 mil soldados cercados pelo exército alemão nas praias de Dunquerque, no norte da França.

O primeiro ministro, Winston Churchill, e ministro da guerra britânicos, Anthony Eden, ordenaram que todo tipo de embarcação fosse mobilizado para atravessar os 75 quilômetros do Canal da Mancha entre Dunquerque e Dover, na Inglaterra, para, sob fogo pesado da Lutfwaffe, a Força Aérea Alemã, evacuar, como definiu Chrchill “a raiz, o núcleo e o cérebro do exército britânico”.

A II Guerra Mundial estava em curso. Duas semanas antes, somente, Adolf Hitler ordenou a invasão da França. Os franceses, acreditando que o conflito seria como o da I Guerra Mundial, com as tropas posicionadas em trincheiras, estavam completamente despreparados para a blitzkrieg, a guerra relâmpago dos nazistas, caracterizada pela velocidade das ações integradas entre a aviação, as unidades blindadas e a infantaria.

Resultado: em 15 dias de guerra os alemães encurralaram parte importante dos soldados aliados, não apenas franceses, como ingleses, deslocados para defender a França, canadenses, belgas, holandeses e poloneses, no norte da França.

Esse avanço arrasador levou o exército alemão sob o comando de Gerd von Rundstedt isolar Dunquerque. Quase meio milhão de soldados aliados não tinham para onde ir, cercados por todos os lados. O general alemão, com seus tanques a 20 quilômetros apenas da praia, estava pronto para desferir o ataque final quando, sem que até hoje não se sabe ao certo a razão, Hitler, no dia 24 de maio, emitiu uma ordem às 11h42.

Um enigma. O ordem era para não avançar. Historiadores, mesmo alemães, especialistas militares e analistas políticos desconhecem, com certeza, o que teria levado Hitler a não permitir o massacre. A ordem que ele emitiu para não atacar não foi emitida em código, possivelmente para os britânicos a detectarem, como aconteceu.

Foi isso que gerou a ordem de Churchill e Eden para mobilizar tudo o que fosse possível para a retirada das tropas aliadas de Dunquerque. Uma corrente acredita que Hitler desejava um acordo de paz com os ingleses, em separado. O líder nazista nunca escondeu esse desejo.

Outros pensam que ele acreditou no seu ministro da aviação e homem de confiança, Hermann Goering. Este garantiu que a Luftwaffe, no seu auge, aniquilaria os aliados acuados na areia. Não havia necessidade de utilizar as unidades blindadas, destinadas a caminhar na direção de Paris. Há outras hipóteses menos acreditadas.

O fato é que a hesitação alemã gerou uma chance de ouro para que 340 mil soldados aliados não fossem mortos ou feitos prisioneiros e regressassem à Inglaterra em 848 barcos, 45 navios de passageiros, 230 pesqueiros e 200 lanchas particulares. Como não havia porto, os militares tinham de caminhar na água até onde desse e, em muitos casos, nadar até a embarcação.

Mas a ordem de dar um tempo ao avanço não durou muito. Parte da evacuação foi realizada sob fogo da Luftwaffe, obviamente encontrando resistência da Real Força Aérea Britânica. Os alemães derrubaram 177 aeronaves aliadas e o homens de Goering perderam 132. Quando os alemães chegaram nas praias de Dunquerque ainda havia 34 mil soldados lá, sem tempo de escapar. Foram feitos prisioneiros.

Mas o fato de 340 mil terem escapado, na operação chamada Dínamo, foi considerado um “milagre” pelos britânicos. Parte desse contingente teria, quatro anos depois, no dia 6 de junho de 1944, capital importância no fim da II Guerra Mundial, quando, com a ajuda dos norte-americanos, invadiram a Normandia, também no norte da França.

Não há registro na história da humanidade de algo semelhante, ao menos nessa escala, à evacuação de Dunquerque. É por isso que hoje, 4 de junho, tanto na Inglaterra como na França o salvamento de 340 mil vidas será lembrado em várias cerimônias.

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA