CASA DO PAI

105

Ana Lucia Missaglia Guarnieri
“Esse Jesus que vos foi levado ao céu virá do mesmo jeito como o vistes partir”(At. 1, 1-11).


“Ele (o Pai) manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita no céu, bem acima de toda autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro”.(Ef. 1, 17-23) Deus Conosco, 28/05/2017, Ascensão do Senhor.


Autor best-seller do new York Times, Timothy Keller é quem relembra o difícil retorno à Casa do Pai não só através da parábola do filho pródigo, mas por meio dos gestos concretos de Jesus.
A palavra “casa” (diz ele) exerce uma grande influência sobre a vida humana(…)é um lugar que nos abriga, onde podemos ser, ou talvez encontrar o verdadeiro interior. Entretanto, depois do exílio de Adão e Eva da casa original, o filho deles, Caim, foi condenado a perambular incessantemente pela terra por ter assassinado seu irmão, Abel.
Esse mundo, como agora o experimentamos, afirma Keller, não é a casa de que temos saudade. Nos tempos de Jesus, a nação continuava exilada. A injustiça e a opressão, as perdas e as aflições ainda dominavam a vida da nação. Pensava-se que o Messias, o rei que redimiria Israel, seria uma figura de grande força militar e de enorme poderio político que conduziria o povo à vitória.
Quando apareceu Jesus (há muito tempo esperado no Velho Testamento) e declarou que trazia consigo o ‘Reino de Deus” o povo observou que Ele não nascera sob cortinas reais, mas em manjedoura, no meio do feno, longe de casa. Durante sua missão, caminhava, dizendo: “A raposas tem suas tocas; as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt.8,20) e permaneceu alheio aos poderes políticos e econômicos sem sequer buscar credenciamento acadêmico ou religioso. Ao morrer ele deu um tremendo grito de abandono espiritual e falta de abrigo, derramando o Seu Amor sobre a humanidade inteira para o seu retorno à Casa do Pai.
E o pesquisador ainda descobre que a salvação é material, pois o Senhor comeu com os apóstolos, antes de partir, e depois de ressuscitado, fazendo do próprio corpo a habitação do Pai e do Espírito Santo.
Ressuscitado, a energia que liberou, como na explosão de um fenômeno astral, não só levantou os mortos de seus túmulos, mas prosseguiu nas descobertas como alimento da alma e ascese do espírito em seu alinhamento, conforme nos ensina : “Quem criou o de fora criou o de dentro”.
O de fora (corpo visível) que Dr. Lawson – para o rico e para o pobre, para o governador e para o subalterno, universalmente – dissecou em 45 litros de água, gordura para fazer 7 barras de sabão, grafite para 9.000 lápis, fósforo para 2.200 fósforos, ferro suficiente para dar forma a um grosso prego, cal para branquear um teto de 16 metros quadrados, enxofre para livrar um cão de suas pulgas, uma pitada de magnésio… convergindo para o encanto do apóstolo Paulo ao verificar: Temos, em “vasos de barro”, o tesouro do Cristo, que move. (Independente dos acréscimos da tabela dos elementos químicos).
Se os foguetes chegaram à Lua e a Marte, investigando as muitas moradas do Pai, declaradas por Cristo, e chegaram sem resposta dos astronautas sobre um bom investimento para uma vida segura, é porque faltou o ingrediente principal para a sobrevivência do homem: o Amor.
Amor que não faltou a Nico Fidenco, naquela bela canção italiana, A CASA D’IRENE: “Na casa de Irene se canta e se ri, tem gente que vai, tem gente que vem…”(sem restrições às pessoas).
Amor que não faltou a Juan Ramon Jiménez (prêmio Nobel da Literatura) com Platero e Eu ao lembrar, na sua doçura bucólica, a caridade excelsa de São Francisco de Assis ao chamar de irmão burro o de fora e de irmã morte o que nos leva à vida. Ao contrário do que afirma o filósofo contemporâneo Leandro Karnal sobre o homem hodierno que tem vergonha do sofrimento e da morte, esquecendo-se talvez de considerar o principal: mas não tem vergonha do pecado (roubo, mentira, violência, orgulho…) que leva ao caos. Aliás a tanatologia está em alta com a frieza de quem comete o suicídio sem dar satisfação a Deus.
O mundo se move pela caridade dos que, em todos os tempos, como Madre Tereza, enxugam as lágrimas, tornam-se instrumentos da paz, alimentam os famintos, visitam os presos, sem nenhum julgamento que possa impedir a nova fraternidade de volta à Casa do Pai, paraíso aberto aos de boa vontade. Conforme o que se semeia será a colheita. A Lei da Atração universal é perfeita: ‘Esse Jesus que vos foi levado ao céu virá do mesmo jeito que o vistes partir”.

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA