O GRANDE MERCADO QUE VIROU O CONGRESSO NACIONAL

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Originário do latim, “mercado” era designado como um lugar onde comprador e vendedor se encontravam para trocar os seus bens. Ação essa conhecida como comércio.
Desde a antiguidade, que a espécie humana inventou o comércio e nela se desenvolveu e progrediu, grandes comerciantes como, por exemplo, os fenícios, tinham uma especial habilidade nesta modalidade, e deixaram de herança a criação do alfabeto e dos números essenciais para o pleno desenvolvimento da atividade comercial.
No Brasil, que inventou a jabuticaba, único país do mundo a ter esse fruto, inova em outra espécie singular de comércio, onde tem seu mercado mais fecundo no planalto central.
Vende-se de tudo nesta nova invenção brasileira. Ideologias, medidas provisórias, projetos de leis, ministros, deputados, senadores, estatais, dentre outras coisas. O Congresso Nacional virou um grande mercado, porém ainda clandestino.
Inversamente da sua origem de representatividade popular, se metamorfoseou em produto essencial para os interesses corruptivos de grandes corporações que se utilizam do Estado Brasileiro para auferirem seus lucros exorbitantes.
Direita, esquerda, coxinha ou mortadela, tanto faz. Há todo tipo de produto nas gôndolas do mercado imoral de nosso congresso nacional, e basta ter dinheiro, que você adquire um deputado, uma bancada, um senador, um ministro, um favor; e se fores muito abastado podes até comprar um presidente.
Nossas excelências renunciaram suas prerrogativas de parlamentares e viram o exercício no poder uma oportunidade de comércio em expansão, e logo se converteram em mercadorias caras.
Souvenir de luxo de uma casta endinheirada, a representação popular corrói a democracia e as instituições, ao bel prazer de seus compradores.
A sociedade brasileira que os elege é traída nesta comercialização. Seus interesses legítimos são relegados ao apetite do mercado.
Estarrecedor, mas verdadeiro, observar que empresas como a Odebrecht, a JBS, entre outras, têm bancadas inteiras compradas para seus negócios, e muitas destas “mercadorias” são adquiridas, inclusive, com dinheiro público.
Essa constatação da mercalização de nossos congressistas nos leva à inadiável verificação de que se faz urgente a refundação do Estado Brasileiro. Não é mais possível coexistir com tamanha distorção.
A reforma política, que abrange não só a forma da escolha popular, deve abranger todo o Estado, como por exemplo, o poder judiciário cúmplice deste comércio e muitas vezes mercadoria destas negociações.
Afinal, os destinos da nação, a democracia, não podem ser objetos espúrios dos que se vendem em negociatas imorais.
A sociedade brasileira tem que expulsar esses vendilhões do congresso.

Henrique Matthiesen
Bacharel em Direito
Jornalista

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