Será que vai sobrar alguém na classe política brasileira para se candidatar a cargo público?

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Taí uma questão que muita gente está se fazendo. Quase a cada semana cresce o números de deputados, senadores, governadores, ex-presidentes citados nas delações dos empresários como destinatários de verdadeiras fortunas em propina. É a maior crise política da história do Brasil.

Agora a coisa ficou ainda mais insuportável por expor, de maneira insofismável, a anuência do presidente da república a esse estado de coisas. Já por outras razões o Supremo Tribunal Federal aceitou denúncia contra Michel Temer e ele está sendo investigado pela Operação Lava Jato.

O envolvimento da classe política em todo tipo de falcatrua que drena os recursos gerados pelos trabalhadores para fins pessoais desses gângsters é amplo, geral e irrestrito. As exceções são raras. E essa metástase do crime atinge todos os poderes: o legislativo, o executivo e até aquele que costuma se autocolocar uma auréola na cabeça, o judiciário.

Levantamento feito pelo procurador geral de república, Rodrigo Janot, 415 políticos de 26 partidos (você leu certo, 26 partidos), são citados nas 337 petições com pedido de investigação. Elas foram encaminhadas para o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

Os executivos e executivos de empreiteiras como Odebrecht, dentre outras empresas, citam nominalmente quem recebia regularmente o dinheiro que, no fundo, recebiam do governo para supostamente pagamento pelas obras em curso. Ocorre que elas eram superfaturadas e essa diferença se destinava a classe política.

Deram todos os detalhes das operações de corrupção. E são valores vergonhosamente elevados diante das carências mais sérias da nação, em especial nas áreas de saúde e educação.

Só para se ter uma ideia de quem foi mencionado, com tudo documentado, como receptor dessa quantias assustadoras de dinheiro: senador Aécio Neves, o atual presidente do senado, Eunício Oliveira, o atual presidente da câmara, primeiro na linha sucessória no caso de Temer deixar o governo, Rodrigo Maia, os senadores, sempre ele, Renan Calheiros, Edison Lobão, Romero Jucá, os ex-ministros Jaques Wagner, Guido Mantega, Antonio Palocci, dentre tantos e tantos.

É por isso que parte importante da população brasileira está se perguntando se haverá quem possa se candidatar a cargo eletivo.

Mas há, por incrível que pareça, um lado positivo nisso tudo. O Brasil tem a sua maior chance nos 517 anos de existência de passar a limpo câmaras dos vereadores, assembleias legislativas, câmara dos deputados e senado. Além das funções executivas, prefeito, governador e presidente.

Esse bando todo que se perpetua no poder, por interesses pessoais mais do que qualquer outra coisa, sendo que em muitos casos podemos falar em dinastias maléficas ao extremo ao país, como as de Calheiros no Alagoas, Magalhães na Bahia, Sarney, no Maranhão, dentre outras, pode, agora, ser excluído da vida pública nas próximas eleições.

O Brasil tem uma oportunidade de ouro para eleger novas lideranças e deixar claro a elas que a partir de agora há um estado de vigília máximo das autoridades legais, em especial da grande Polícia Federal, e principalmente do povo. Não mais seriam aceitos os menores deslizes.

Como bem se manifestou o ex-presidente do STF, o inatacável Joaquim Barbosa, “o povo deve se mobilizar, ir para as ruas”. Ele defende a renúncia de Temer. Barbosa foi figura-chave por condenar as lideranças do esquema do mensalão, concebido pelo governo do PT para pagar propina aos políticos, a fim de que seus projetos fossem aprovados no congresso.

Seria animador, esperançoso se nas próximas eleições, não importa a esfera, nenhum desses sequer suspeitos recebessem crédito da nação. Mais inspirador ainda, para aqueles que assumirem, se os investigados e condenados apodrecerem na cadeia, com seus bens confiscados pelo Estado.

liviooricchio@gmail.com 

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