UM TRIBUTO AO SILÊNCIO

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Busco no poeta e romancista francês, Jacques Prévert, o sábio pensamento: “Há momentos na vida em que se deveria calar e deixar que o silêncio falasse ao coração, pois há emoção que as palavras não sabem traduzir.”
Paulo Coelho, escritor, pondera: “Ame como a chuva fina. Esta cai em silêncio, quase sem fazer notar, mas é capaz de transbordar os rios.”
A globalização deu à espécie humana a possibilidade inimaginável das relações instantâneas, empoderando todo tipo de absolutismo opinativo, desprovido das cautelas essenciais e presumíveis.
Todo mundo hoje tem opinião de tudo e de todos. Um festival de besteiras, preconceitos, conceitos torpes invadem as ditas redes sociais e as inter-relações num movimento raso desprovido de qualquer razoabilidade de lastro.
O silêncio surgiu como uma ação precária sossega, como reflexivo. Algo que vem de dentro, que serena, que pondera, quando se agiganta aquieta, produz discernimento, brota sabedoria.
Indubitavelmente há uma correlação entre sabedoria e o estado silencioso. O conhecimento científico, filosófico, tecnológico, teológico são frutos da mais densa observação silenciosa.
Assustador, incomoda, perturba, carrega em si o enigma do mundo das idéias não expressas emanando de uma energia brutal, o silêncio grita mais feroz dos que os vernáculos.
Linguagem da alma é a metamorfose da sabedoria, da astúcia, da clarividência, da sensatez, é a palavra não dita, mas compreendida.
Diferentemente do que podemos ajuizar, o silêncio é, muito mais virtude do que vício, está na placidez, no mergulho da alma, no hábito sadio do escutar. Ele harmoniza e edifica.
Entretanto, em sua tirania inapropriada, gera a sua face covarde, o silêncio do rancor, do ódio, da pusilanimidade, da mágoa, da traição e é tão maléfico como o brado escaldante.
Caos auditivo, somos ruidosos, obcecados pelo vazio, cultivamos o hábito irritante do estridente, e somos inconvenientes nas verdades mentirosas.
Shakespeare, em sua monumental obra “Hamlet”, no conflito invencível do “ser ou não ser” nos traz a imprescindível lição após todos os ditos e não ditos de todo drama do rei da Dinamarca.
O que resta, o que sobeja, o que sobra é o silêncio.
Afinal, o resto é silencio.
Ou o prosaico ditado popular, boca fechada não entra mosquito.

Henrique Matthiesen
Bacharel em Direito
Jornalista

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