A F 1 é, antes de mais nada, um grande negócio

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Livio Oricchio, de Barcelona

Olá amigos.

Vou aproveitar que meu amigo Edison Cortêz não está aqui no Circuito da Catalunha para redigir um texto sobre F1. Escrevo de Barcelona, onde neste domingo será disputado o GP da Espanha.

Quem assiste às corridas pela TV se preocupa, essencialmente, como não poderia deixar de ser, com o aspecto esportivo da competição. Ou seja, se quem vai ganhar é Lewis Hamilton, da Mercedes, ou Sebastian Vettel, Ferrari, ou se Valtteri Bottas, companheiro de Hamilton, pode surpreender, como no GP da Rússia, há duas semanas, e celebrar nova vitória. Obviamente muitos torcem por um bom resultado do único representante brasileiro na F1, Felipe Massa, da Williams.

Mas há outra área de interesse dos GPs que nem todos se atêm, aquela que, em primeira instância, justifica a existência da F1: a comercial. Ok, verdade, o desenvolvimento tecnológico leva algumas empresas a investir na F1 também.

Estamos assistindo nesta edição em particular do GP da Espanha à introdução de muitos novos componentes nos carros das dez equipes que disputam o campeonato. Eles estão bem diferentes de como começaram o ano. Isso porque a prova de Barcelona é a primeira da fase europeia da temporada. A F1 já passou pela Austrália, China, Bahrein e Rússia.

É a primeira corrida na Europa, continente onde as das equipes têm suas sedes, na Inglaterra, Itália e Suíça, e depois porque os engenheiros entenderam melhor o que as novas regras mais privilegiam nos carros. Este ano estreou um regulamento muito distinto daquele em vigor nos últimos campeonatos.

O que Ferrari, Mercedes, Red Bull, Williams, Renault, McLaren-Honda, por exemplo, desejam com tantas novidades nos seus carros? Você tem razão, torná-los mais rápido. Mas há mais. Elas investiram alguns milhões de euros para fazer seus pilotos terem maior possibilidade de sucesso porque capitalizam com isso. Se tudo der certo, o ganho é representativo.

Uma vitória da Ferrari com Vettel, já líder do mundial, sem dúvida reforça a imagem de excelência dos carros que comercializa no mercado. Os italianos mantêm a produção na casa dos 6 mil exemplares por ano para reforçar a mensagem de exclusividade, elevada potência, performance, beleza, elegância, de quem os tem ou adquire.

No caso de Hamilton ou Bottas levantarem a taça para a Mercedes, vale o mesmo raciocínio. A tecnologia da F1 é a do futuro, ou seja, um pequeno motor de 1,6 litro, integrado a dois motores elétricos disponibilizam quase mil cavalos de potência. É tudo muito complexo. “E a Mercedes domina esse ciclo.”

O orçamento anual de Ferrari e Mercedes para seus programas de F1 é semelhante, algo como 250 milhões de euros (R$ 870 milhões). Parte desse dinheiro, cerca de R$ 250 milhões, vêm do que a própria F1 distribui aos times, em função do que arrecada. A outra parte provém dos patrocinadores. A Ferrari tem ainda um bônus de R$ 200 milhões por ser a escuderia mais antiga.

Tenha a certeza de que as conquistas na F1 reforçadas pelas campanhas publicitárias das empresas vencedoras têm enorme influência na hora de o cliente em potencial definir sua escolha. As montadoras ou patrocinadores por detrás das equipes investem, como mencionado, elevadas somas para tornar seus carros mais velozes, como estamos assistindo aqui em Barcelona, mas por outro lado são capazes de capitalizar muito mais se os objetivos estabelecidos forem alcançados.

A Red Bull não produz carros, mas é a empresa mais agressiva do mundo em marketing esportivo. Cerca de 35% do seu faturamento de US$ 3 bilhões anuais são investidos em promover a marca através do esporte, sempre na sua expressão máxima. F1, corrida de aviões, paraquedismo extremo, dentre tantas outras atividades radicais. E se a empresa austríaca segue com essa política há décadas é porque funciona, sua participação no mercado mundial de energéticos cresce a cada ano.

A Renault, a McLaren e a Honda também visam a elevar o número de carros vendidos e o norte-americano Gene Haas, da Haas F1, comercializar mais máquinas industriais produzidas por sua empresa. É assim que funciona a F1.

Ayrton Senna costumava dizer: “A F1 é, em primeiro lugar, um grande negócio, business. Em segundo lugar, competição tecnológica. E só depois surge o esporte”.

liviooricchio@gmail.com

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