IMPOSTO SINDICAL EM CHAMAS

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Alexandre Garcia
Dia 28 aconteceu a “greve geral”, assim chamada por seus organizadores,
a CUT e a Força Sindical – as mesmas centrais que a Odebrecht diz ter comprado para evitar que os operários das obras da hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, se insurgissem contra o ritmo acelerado de trabalho. Lá, não impediram o acesso ao trabalho, como no dia 28; ao contrário, impediram que fizessem greve contra a opressão da pressa para entregar a obra. As centrais, agora, se mobilizam para não perder a contribuição sindical, que tira um dia de trabalho de todos os trabalhadores, mesmo os não sindicalizados. A derrubada dessa contribuição obrigatória já aconteceu na Câmara e agora vai ser votada no Senado. Dia 28, os senadores tiveram oportunidade de saber para que a contribuição foi usada: para impedir o acesso ao trabalho, agredir, violentar direito de ir-e-vir, sustentar arruaceiros e baderneiros.
No Rio, depredaram estações do VLT e queimaram ônibus, enquanto agrediam pessoas no aeroporto Santos Dumont. Em toda parte queimaram pneus no asfalto e incendiaram ônibus. A exibição de força foi ironizada como “a greve dos pneus” – pneus velhos, carecas, sem uso, cheios de significado. Não foi greve, porque greve é voluntária, não imposta pela supressão do direito de ir ao trabalho. Mesmo assim, as cidades funcionaram. A Bolsa de Valores de São Paulo teve alta no seu índice IBOVESPA.Também houve manifestações justas, pacíficas, que, segundo a PM, reuniram, no país inteiro, 97 mil pessoas. Isso dá 1 pessoa em cada 2000 brasileiros. Um fracasso que é retrato da incoerência de terem votado em Temer e venham gritar “fora Temer”. É bom lembrar que o PMDB elegeu Dilma e o PT votou em Temer.
A propósito, outra incoerência é serem contra reformas já propostas por Lula e Dilma. Lula tentou reformar a Previdência em 2006, mas o Mensalão o fez desviar esforços para se safar. Hoje vi um discurso de Dilma, então presidente, defendendo a reforma da Previdência, a regulamentação da terceirização e a reforma da CLT. Lula, há dois anos, fez discurso em apoio a essas reformas anunciadas por Dilma. Coerente, Temer faz agora as reformas que sua cabeça de chapa queria fazer. As centrais sindicais não ligam para ideologia, para Lula, Dilma ou Temer. Ligam para a boquinha fisiológica dos bilhões que retiram de um dia de salário dos trabalhadores. Graças à contribuição sindical obrigatória, dirigentes sindicais desfrutam de salários de 20, 30, 40 mil reais por mês. E são mais de 17 mil sindicatos – outros países têm pouco mais de 100. Entre esses, 11.326 entidades estão habilitadas a receber o que em 2016 foram 2,1 bilhões de reais. Dizem defender o trabalhador, assim como a CLT. Mas como, então, temos 14 milhões de desempregados? E empregados com salários baixos, e assalariados tão pouco preparados para suas profissões?
O juiz João Uchôa dizia que se o sindicato fala por nós, é porque nos tirou a voz. Se o sindicato nos manda não trabalhar e não temos escolha, porque ele bloqueia nosso acesso ao trabalho, então é porque temos o mais tirano dos patrões, que ainda leva um dia de nosso salário para usar no pulso relógio de luxo que não conseguimos comprar. Se, para nos obrigar a não trabalhar, o sindicato ameaça, coage, agride os próprios trabalhadores, é porque temos uma tirania. Ao defender sua boquinha – na verdade um bocão escancarado por onde entram bilhões – os pelegos não se importam em tentar impedir reformas que podem ajudar a acabar com a recessão e o desemprego. Não merecem esse paraíso que lhes proporciona a injusta Contribuição Sindical. Quis o destino que no dia 28, enquanto incendiavam pneus e ônibus, queimavam também as chances de manter o odioso imposto.

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