Que descaso da justiça com a sociedade

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Olá amigos.

Apeguemo-nos a dois exemplos, por serem os que ganharam grande espaço na imprensa nos últimos dias. O do ex-goleiro do Flamengo, Bruno, e da ex-primeira dama do Rio de Janeiro, Adriana Ancelmo.

Ele, réu confesso, responde por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver contra a ex-amante Eliza Samudio, além de sequestro e cárcere privado do filho. Você leu com a atenção os crimes que ele cometeu?

Ela, investigada pela Operação Calicute, da Polícia Federal, acusada de corrupção e lavagem de dinheiro. Valor apurado até agora do desvio de recursos públicos pela organização liderada por seu marido, ex-governador do Rio, Sérgio Cabral: US$ 300 milhões (R$ 900 milhões). Mas sabe-se ser bem mais.

Com tudo o que Bruno fez, sendo que até agora o corpo da ex-amante assassinada não foi localizado, ele ganhou o direito de responder em liberdade. Para, agora, voltar para o presídio.

Quanto a Adriana, mesmo tendo roubado dinheiro da saúde, educação, transporte, também ganhou o direito de estar em casa, “para os filhos não serem afetados ainda mais pelo “drama” da família, já que o pai também está preso. Como Bruno, Adriana está de volta ao presídio.

Como a sociedade reage a esse estado de coisas? Uma hora se choca com o fato de um cidadão capaz de mandar matar a ex-amante e não dizer onde está o corpo sair pela porta da frente da cadeia sem cumprir a mínima parte da pena de 23 anos que o juiz lhe impôs. E no seguinte, essa mesma sociedade fica sem saber o que pensar ao lhe mandarem de volta para a prisão.

Está pasma pela terceira vez ao ouvir o que afirmou seu advogado: “Meu plano é colocar o Bruno em liberdade novamente nos próximos 45 dias, eu tenho os meus caminhos. Mas caminho legal, viu? Alguém duvida de que os advogados de Adriana conseguirão mandá-la de volta para casa a fim de esconder melhor tudo o que ainda não foi descoberto?

O que primeiro nos vem à mente é a impressionante margem existente na justiça para liberar criminosos da virulência para a sociedade como Bruno. E da perniciosidade de Adriana, criminosa que de forma indireta teve responsabilidade, durante anos, pela morte de crianças, adultos e idosos carentes de atendimento médico, por roubar verba da saúde.

Tem mais. A fala do advogado de Bruno revela parecer uma prática relativamente comum a adoção de meios escusos para liberar presos, quando ele afirma: “Mas caminho legal, viu?” Ah é… explique melhor, então, meu senhor.

Onde quero chegar é que aqui da Rússia, onde me encontro, que não é nenhum exemplo de respeito aos direitos dos cidadãos, esses dois fatos ligados ao poder judiciário brasileiro representam mais um golpe contra a esperança de milhões e milhões de brasileiros numa sociedade minimamente mais justa.

Não há critério. Não há uma lógica que o indivíduo comum sabe que será respeitada. Fez isso então a consequência é essa. No Brasil esse mecanismo de causa e feito não existe. Nunca sabemos o que acontecerá.

Pior: essa falta de coerência mínima da justiça, essa falta de preocupação da justiça em dar uma satisfação à sociedade, em especial nos casos de crimes horrendos como os de Bruno e Adriana, nos levam a perder a confiança na justiça.

O Brasil é uma nação acéfala, não permite a seus habitantes entender o que é legal e o que é ilegal. Isso porque o que a lei especifica como ilegal, como matar uma moça e nunca dizer onde está o corpo, como fez Bruno, ou ter responsabilidade na morte de respeitados cidadãos, como é o caso de Adriana, podem receber interpretação bastante pessoal de quem os julga.

E dane-se o que a sociedade, a atingida em cheio pelos dois, irá pensar. E dane-se os esforços de abnegados investigadores da polícia e do próprio judiciário para esclarecer os casos. Ninguém merece satisfação alguma.

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