Café: mocinho ou bandido? Depende da dose

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Livio Oricchio

Veja que coincidência. O Edison Cortêz, aqui do jornal e com quem viajo pelo mundo com a F1, me falou outro dia sobre café, descreveu curiosidades do café, como sua origem, na península arábica, a trajetória até chegar no Brasil e sua imensa adaptação às características do solo e clima brasileiro, bem como ao gosto do brasileiro.

Aquilo ficou na minha cabeça. Eu resido, como falo com frequência, em Nice, na França, fronteira com a Itália, onde compro quase tudo o que se come aqui em casa. Em meia hora de carro, com o Mediterrâneo do meu lado direito, paisagem linda, chego em Ventimiglia, primeira cidade depois da fronteira.

Digo isso porque se existe um país onde esse negócio de beber café é levado ainda mais a sério é na Itália. O Brasil produz ótimo café, cada cidadão consome, em média, 6 quilos por ano, mas na Itália, que o compra do Brasil, dentre outros países, é o dobro, além de eles serem fanáticos por pesquisar máquinas que permitam saboreá-lo com ainda mais intensidade e prazer.

O que me veio à mente, ainda outro dia, foi se o café faz mal a saúde, como pensam alguns. Se é assim, por qual razão um cirurgião, por exemplo, depois de horas no centro cirúrgico diz ao sair: “Preciso de um bom café”.

Se faz mal, por que tanta no mundo todo consome café. Só perde como a bebida mais consumida no planeta para a água. E a cada ano os estudos para produzir cafés originais, com personalidade própria, a partir da mistura de vários tipos, grãos, técnicas de preparo, crescem. Se aumenta é em razão de a procura ser maior. Existe hoje a cultura do café.

Passamos do café passado no coador de pano e servido no copo de vidro no boteco, também agradável, ao café como produto sofisticado de produção, servido em xícaras de porcelana estudadas para realçar ainda mais os requintes das substâncias encontradas nos mais finos cafés.

Mas nossa parada, hoje, é no ponto em que se o café faz bem ou mal à saúde, é o bandido ou o mocinho da história, dúvida frequente nas nossas vidas nas últimas décadas. Uma hora o ovo é um vilão. Na seguinte, aconselhável. O bacon, ou toucinho, então, nem se fala. Ele já passou de assassino a não tão lesivo assim.

Com o café não é diferente. Mas você já viu que com tudo o que se fala, continuamos consumindo todos esses alimentos?

Andei lendo em publicações aqui na França e na Itália sobre se o consumo do café é recomendado ou não. E não é preciso confrontar as leituras para chegar logo a uma conclusão: o café faz bem à saúde! Mas atenção: a diferença entre ele ser algo recomendável ao organismo ou um produto a ser evitado está na dose.

Olha o que encontrei. Estudo desenvolvido na mais conceituada universidade do mundo, Harvard, em Boston, Estados Unidos, indicou que quatro xícaras pequenas de café reduzem em 11% o risco de doenças cardíacas. O próximo dado é impressionante: o Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos, concluiu, depois de pesquisa, que três ou quatro xícaras de café aumentam a expectativa de vida dos homens em 10% e das mulheres, em 13%.

A mesma universidade de Harvad estabeleceu uma relação inversamente proporcional entre o consumo moderado de café e o aparecimento de câncer de pele. Quer mais? Qual o efeito do consumo de café, dentro dos parâmetros indicados, para quem tem dor de cabeça?

Se você observar a fórmula de vários analgésicos verá que há nelas cafeína, a principal substância encontrada no café, um vaso constritor. E a dor de cabeça é causada pela dilatação dos vasos. Portanto, ele atua favoravelmente para atenuar a dor de cabeça.

Bem, tudo isso é apenas para dar uma ideia do lado mocinho do café. Mas, como descrito, para passar a vilão da história é bem fácil também. O consumo fora dos padrões recomendados, três a quatro xícaras por dia, pode trazer consequências até sérias. Varia de indivíduo a indivíduo. Alguns passarão a vida toda tomando mais café do normal e não terão sequelas. Já com outros pode ser diferente.

O excesso de cafeína em uso prolongado pode causar arritmia cardíaca, lesões do aparelho digestivo, ansiedade, estresse, insônia e irritabilidade, dentre outros efeitos. A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central.

Calma, como descrito no início, a cafeína foi considerada pelo rigoroso Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, como uma substância segura e recomendada, desde que consumida moderadamente. Em resumo, meu amigo: se você se enquadra no grupo dos que consomem as quatro xícaras de café indicadas por dia passe a apreciá-las ainda mais. Elas vão te ajudar a viver mais e melhor.

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