Estamos cada vez mais perto de descobrir vida fora da Terra

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Olá amigos.

Como nós falamos, preferencialmente, de ciência neste nosso espaço, não tenho como fugir ao anúncio da Nasa, quinta-feira. A agência espacial norte-americana disse ter encontrado hidrogênio nos gases ejetados pelos gêiseres da pequena lua Encelado de Saturno.

O que isso significa? Segundo astrobiólogos, esse hidrogênio tem apenas uma origem. Ele seria a sobra das reações químicas entre a água quente do oceano existente sob a camada de gelo de Encelado e as rochas do fundo. Na Terra acontece a mesma coisa. Sob os oceanos, temos vulcões em atividade. De suas fontes termais, como o nome diz, emana calor. A água ao se redor, claro, aquece.

Como isso ocorre em grandes profundidades, a luz não chega lá. Mas na Terra há várias formas de vida que se aproveitam desse ambiente para prosperar. Mesmo sem luz do Sol. Conhecemos 370 espécies. Bactérias, por exemplo, utilizam o calor para combinar gás carbônico, enxofre e fósforo e fabricar material orgânico, seu alimento.

O contato da água quente desses vulcões submarinos com as rochas geram hidrogênio, o mesmo fenômeno detectado em Encelado e anunciado pela Nasa. Em resumo, as condições das profundezas do oceano de Encelado são muito semelhantes às existentes no nosso planeta, apesar de nós estarmos a 150 milhões de quilômetros do Sol e Encelado se encontrar a 1,5 bilhão, ou dez vezes mais longe.

O que a Nasa está querendo dizer é simples: há elevada possibilidade de existir formas de vida também em Encelado. Desde que o homem tomou consciência do seu lugar no Universo ele se pergunta se está sozinho, se a vida não floresce em outro local do cosmos. Por que esse privilégio da Terra?

Quem descobriu o hidrogênio de fontes termais em Encelado foi a sonda Cassini, a mais bem sucedida missão espacial de uma sonda já enviada pelo homem para viajar pelo espaço. Ela está desde 2004 navegando por Saturno e seu conjunto de luas. Descobriu essa característica de Encelado e chocou a comunidade científica com o que mostrou de Titan, a maior lua do planeta com anéis.

Titan se assemelha a Terra jovem, com um mar de gás metano em estado líquido em razão da temperatura, cerca de 200 graus Celsius negativo, como na superfície de Encelado. Cassini fez mais com Titan. Da sonda saiu outra sonda, Huygens, para pousar nessa lua intrigante, com dimensões parecidas com a nossa, 2.300 quilômetros de diâmetro, bem grande.

Em 2020, a Nasa vai enviar a missão Europa Clipper para Europa, com o objetivo explícito de detectar formas de vida no oceano de água líquida e salgada dessa lua de Júpiter. Europa está bem mais perto de Encelado, algo como 600 milhões de quilômetros. Em dois anos chegamos lá.

A sonda Cassini, depois de permitir aos astrônomos, astrofísicos, astrobiólogos e cosmologistas, dentre outros, uma compreensão bem mais profunda, e por vezes nova, do que conhecemos, está perto de encerrar suas brilhantes atividades. O combustível, não vai demorar, terminará.

Dia 15 de setembro os cientistas da Nasa vão orientar a sonda para entrar na atmosfera de Saturno. O choque com as camadas de gás do planeta elevarão a temperatura a um ponto tão alto que Cassini literalmente irá derreter.

Antes disso, porém, a sonda sobrevoará o pequeno espaço de 2,4 mil quilômetros existente entre Saturno e seu primeiro anel. Nunca uma sonda entrou lá. Os dados coletados, se não for atingida por um dos fragmentos dos anéis, permitirão o estudo mais preciso de como eles se formaram, dentre tantas outras possibilidades. Cassini, uma conquista da humanidade.

liviooricchio@gmail.com

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