2018 À DIREITA SEM CANDIDATO

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Quando as urnas foram abertas em 2014 reelegendo Dilma Rousseff presidente, algumas constatações ficaram claras no Brasil.
Evidenciou-se uma divisão profunda entre os que ascenderam socialmente com os programas sociais do PT, e os que, influenciados pelo conservadorismo, não aceitaram a continuação deste projeto. A aversão estimulada pelo descortês debate político aflorou no apequenamento dos derrotados eleitoralmente. Uma odiosidade à recém eleita presidente.
O semelhar da prática corruptiva das velhas oligarquias pátria, o desastre econômico de Joaquim Levy na economia, o isolamento injustificado da presidente, e o crescimento da impopularidade, formaram a tempestade perfeita para a derrubada, via golpe judiciário e parlamentar.
Infladas pelo monopólio midiático, as celebridades togadas, numa agenda imoral com a oposição que tinha como chefe Eduardo Cunha, manipularam a opinião pública para ajudarem a pressionar um Congresso Nacional de cócoras, aprovar o impeachment.
Finalmente, por meio de Joaquim Silvério dos Reis transvertido de Michel Temer, a direita e sua agenda neoliberal voltara ao poder. O discurso da moralidade, da ética, era desmoronado uma vez que corrupção nunca chegou a ser preocupação para os usurpadores do poder.
Mas dizia Brizola: “A política ama a traição e abomina o traidor”
O naufrágio do governo ilegítimo, somando-se ao envolvimento das principais figuras do PSDB e PMDB em esquemas de altiva corrupção, à uma plataforma política exclusivamente integrista e de supressão de direitos, coloca a direita brasileira sem um candidato competitivo para a disputa eleitoral de 2018.
Tanto o Mineirinho, o Careca, o Santo, o Aluisio 300, – apelidos na lista da Odebrecht, assim como o alegórico prefeito de São Paulo no “Panamá Papers” – não apresentam a necessária densidade eleitoral. No PMDB, então, não há nenhum nome capaz de se arriscar a tal empreitada.
Neste cenário de repulsa aos tradicionais nomes, aparecem figuras extremas como Jair Bolsonaro, como um protesto.
Mas o que preocupa mesmo os incautos golpistas é o crescimento de Lula e a real possibilidade de retorno ao poder. Outro temor é ver Ciro Gomes como alternativa real de derrotá-los.
Esse é o preço que Lacerda pagou ao apoiar o golpe de 1964 quando virou vítima dele. Assim, hoje a direita é vítima dela própria, sem perspectiva real de ganhar eleições.
Neste contexto pode estar sendo arquitetado outro golpe, até porque essa gente é meio avessa à democracia e à soberania do sufrágio universal do voto.

Henrique Matthiesen
Bacharel em Direito

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