RESSURREIÇÃO DE LÁZARO

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Ana Lucia Missaglia Guarnieri
O Evangelho de Domingo p.p .(02/04/2017) relata, detalhadamente, a Ressurreição de Lázaro, desde os momentos de angústia até sua ressurreição, pelo Amor de Cristo(São João, 11, 1-44).
Marta e Maria, irmãs de Lázaro, habitantes em Betânia, próxima a Jerusalém, eram amigas muito caras a Jesus. No desespero, Marta diz que se o Senhor estivesse junto do irmão, ele não teria morrido, embora Jesus afirmasse que, além da doença não causar-lhe a morte, a demora em atendê-lo (fazia quatro dias que tinha morrido) seria ocasião para revelar a glória de Deus como, de fato, foi feito.
Como aconteceu na ressurreição da filha de Jairo, Jesus se expressara, dizendo que “dormiam”, mas não estavam mortos, o que provocava zombaria, dúvida dos circunstantes, como quando, na Academia de Ciências, Edison apresentou seu fonógrafo e os acadêmicos saíram caçoando: “Não vão pensar que somos tolos a ponto de engolir tal feitiçaria”. (Hoje, graças ao PENSAMENTO de Einstein, até jornais que acompanham o progresso tem seus arquivos na Internet: seu “xerógrafo” eletrico).
Durante o trajeto de Jesus e dos que o acompanhavam até ao sepulcro, “quando viu (Maria) chorar e chorarem também os judeus acompanhantes, estremeceu, perturbado e transtornado. E sob o impulso de profunda emoção, perguntou: “Onde o pusestes?” Responderam-lhe: “Senhor, vinde ver”. Jesus pôs-se a chorar”. Interpelado por alguns deles sobre a possibilidade de não tê-lo deixado morrer, ele foi “tomado novamente de profunda emoção” e, já diante do sepulcro, onde o corpo visível de Lázaro já cheirava mal, pronunciou essas palavras:
“ Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Sei bem que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está à minha volta, para que creiam que tu me enviaste”. Em seguida, exclamou em voz alta: “Lázaro, vem para fora!” E o morto saiu, ordenando-lhe então Jesus: ”Desatai-o e deixai-o ir”.
Nem é preciso mencionar no inconsciente coletivo de Jung em que a morte de Lázaro é a morte de todos, sem exceção. Também não é o fato da morte biológica em si o importante, mas a que seu significado nos leva. “Cheirar mal” (- este o resultado final da decomposição dos elementos da Química Orgânica?) bem poderia ser não ter acabado com o orgulho que, segundo Krishnamurti, “é querer estar por cima e este desejo cria conflito dentro de nós mesmos e com o nosso próximo; leva à competição, à inveja, à animosidade e, por último, à guerra”.(A Educação e o Significado da Vida, pág.45)
E “o Senhor chorou”. DOMINUS FLEVIT.
Profundamente emocionado, Ele, diante da morte do amigo Lázaro, percebeu a angústia da humanidade inteira: é como se Ele quisesse dar a cada um de nós, do povo de Deus de todos os tempos, a vida nova, para que, através da Sua Cruz, enxergássemos a morte não como punição ou maldade , num gesto de horror ao pecado, mas como sinal de seres, verdadeiramente, criados à Sua semelhança e imagem.
A doação do Amor de Cristo ,na ressurreição de Lázaro, refere-se à ressurreição de cada um de nós: completar não só o que falta à sua paixão, mas corresponder a este Amor, que nos torna novidade uns para os outros. Deixa-se o orgulho para sermos instrumentos da paz, onde se vê, no outro, Jesus, que transcende o próprio corpo, tornando-se capaz de ir além das aparências, fazendo a leitura do enxergar mais além, onde a claridade e a certeza de Lázaro, livre da depressão pela ausência do Mestre, são também a nossa. Como aconteceu aos discípulos de Emaus ao constatar a presença de Jesus ressuscitado.
Da percepção profunda do Amor de Cristo pela nossa ressurreição, Krishnamurti , no seu elevado misticismo religioso, extraiu “essa estranha flor com seu raro perfume” , onde se conjugam desejo, prazer e apego, sem cisão , que é como J.S.Bach vê o Senhor:“a alegria dos homens”. Como os que se assemelham às crianças e não cessam de louvá-lo e adorá-lo por Seu gesto de Amor universal, único, grandioso, poderoso e extremamente belo, em Betânia, ressuscitando, em Lázaro, a cada um e a cada ser que nele confiam, como superação da morte (o preço do pecado) pela eterna vitória da Vida.

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