Do ir e vir e do ficar

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Ana Lucia Missaglia Guarnieri
As aulas de Inglês recebidas da nobre e inesquecível Professora Marília S.U. Selingardi (em memória) , mãe do impecável Perito em Arqueologia, Anselmo Ap. Selingardi Jr.,colaborador do “Diário do Rio Claro”, possibilitaram-me acompanhar a reportagem (21/03/2017) da visita do Príncipe Harry a Orfanatos, Instituições de Caridade da Inglaterra, emocionando-se com algumas fotos da mãe, a bela Duquesa Diana, aí encontradas, momento em que o repórter definiu a simpatia do Príncipe como “estar, nestes locais, à procura dos BONS ESPÍRITOS”.
No mesmo dia (21/03/2017) – início de Outono – a reportagem da EPTV divulgava o resultado de uma partida de futebol e perguntava a um menino como se sentia com a vitória do seu time ao que ele respondeu: “-Não preciso de celular para gravar. A gente guarda na alma”.
— Do ir e vir, onde o ficar , se “o julgamento é este: a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más?” (João: 3, 19)
Lembro-me das aulas de Latim, quando nosso ilustre Professor, Manuel Luciano de Freitas, hoje, com uma Escola, em Araraquara, SP, com o seu nome em justa homenagem, nos diminuía os rigores da Língua com frases lúdicas como – FILHORUM MEORUM O CAFEZORUM ESTA PRONTORUM– o que jamais acontecia ao deparar com o Iluminismo (séc. XVIII) em que os déspotas esclarecidos emancipavam-se de Deus por conta própria e, em seus Governos, as rainhas tinham 365 vestidos por ano.
Hoje assistimos a reportagens da Espanha informando o estado do Rei Felipe VI como moralmente depenado pela Rainha Letícia (esposa). Ao ter dado início a uma LOVE’STORY, na Corte, agora prossegue, separada do marido, às reuniões públicas, com seus mais de 4.000 vestidos de grifes famosas, por ano, regiamente acompanhados de sapatos, acessórios e joias de preços altíssimos.
– Com o ensinamento do Cristo de que “a vida vale mais que o corpo e o corpo, mais que as vestes”, captado por Eça de Queiroz (1892) como “corpo é vestido, alma é pessoa”, como fica o sistema nervoso de uma pessoa que trocou a alma pelo vestido? (Pelas últimas fotos, LA REINA LETIZIA SE ESTÁ QUEDANDO EN LOS HUESOS).
Entre o ir e vir, nesta Quaresma, Papa Francisco recebeu as visitas da Rainha Elisabeth, da Inglaterra e do Ex-Presidente Obama, dos Estados Unidos. Há, além do respeito mútuo, entre Governos e o Papa, a troca de presentes. Mesmo sob as críticas de que o Papa vive cercado de riquezas, no Vaticano, o atual Chefe da Igreja Católica já tinha escolhido ser Francisco quando, como Bispo, cozinhava sua própria comida, na Argentina. Por isso aproximando-se de Obama lhe ofereceu dois presentes: um quadro com uma imagem sacra e outro contendo a figura de um Anjo. Ao entregar-lhe este último disse: “- O outro foi do Papa, mas este é um presente de Mário Jorge Bergoglio para você, príncipe da Paz”. O ex-Presidente saiu entre lágrimas.
Do ir e vir, é preciso saber o que fica.
A corrupção, antes de ser filha da extorsão desenfreada e criminosa do dinheiro público, é escolha não do, pelo ou para o Bem Comum, mas cruel opção por matar a vida, em nome do ter como idolatria, individualismo, egoísmo. Sufoca-se de tal modo, que pessoas de boa índole procuram pela criatividade, valorizam empreendimentos pelo bem da humanidade, acreditando que a crise se torne oportunidade para conhecer a Deus, pois é muito pobre não ter bons sentimentos em relação ao próximo.
O Reino de Deus está dentro de nós e o que fica está no comportamento de Harry ao herdar da mãe, amiga da Madre Tereza de Calcutá, após o choque do seu confronto entre a herança plebeia e a realeza britânica, o cuidado de procurar OS BONS ESPÍRITOS.(Encontrou fotos da mãe em Casas de Caridade). Fica na resposta do menino pelo resultado alegre do jogo: “A gente guarda na alma”. Como pequeno filho de Maria, que tinha poucas vestes, mas guardava tudo de Jesus, em seu coração, para dá-LO como a Luz do mundo. Permanece no gesto humano do Papa Francisco ao reconhecer, no Governo de Obama, o seu interesse em promover a justiça e a paz.
Que o jejum forçado pela carne podre (mais uma vergonha da Nação Brasileira) seja seguido pela
Conversão dessa Quaresma, deixando de explorar o próximo( “a carne é fraca”) para obter lucros que a sepultura come. Que o ir e vir encontrem caminhos no ficar. Como na canção do Chico Buarque de Holanda:“acontece de repente/ como um desejo/ de eu viver sem me notar/ e aí me dá uma inveja dessa gente/ que vai em frente, sem nem ter com quem contar(…) é gente humilde que vontade de chorar”..

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