O HOMEM QUE NÃO TEM POSIÇÃO, NÃO TEM RAIZ

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Dentre a formação do caráter, um dos atributos é ter posição sobre determinados temas, circunstâncias, comportamentos.
O atributo da indecisão ardilosa, como pretexto de auferir alguma vantagem é por si só uma deformidade ética, um ato desonesto, quando utilizado para enganar, driblar, embair, iludir, lograr, ludibriar, tapear.
Quem se utiliza de ardis, de esperteza, de manha para conseguir o que pretende. Que é sagaz, astucioso, velhaco, renuncia conscientemente as virtudes.
Não podemos olvidar que a virtude não é algo condicionado à hereditariedade, não é herdada, não é algo que se passa adiante, não faz parte da genética, ela pode ser apreendida, exercitada. A virtude é um valor ético. A virtude tem dentre o seu cerne “vir” de onde vem, o que nos dá a conceituação do enraizamento de seu aprendizado e de sua natureza. Ela necessita estar no cotidiano, na prática, como terra fértil para germinar e aflorar.
O caráter estéril e infrutífero são as características dos despossuídos de virtudes e de valores. São rasos, inconfiáveis, que trazem consigo os vícios mais deletérios da existência humana.
A aparente superficialidade da desvirtude em não se comprometer visando o interesse da ardilosa manipulação, declara a pequenez e a alma mesquinha de quem a pratica.
Na história da humanidade temos inúmeros exemplos que demonstram este tipo de características em determinadas pessoas.
Em Apocalipse 3.16, Jesus condena fortemente o morno e diz: “mas porque és morno, e não és frio nem quente; vomitar-te-ei da minha boca.”
Esta passagem bíblica está carregada de simbologia e reflexão. Há uma inconteste condenação dos usufrutuários destes atributos.
Correlata à utilidade, a água morna representada não se pode beber ou curar, é inútil, e o que é inútil são despossuídos de virtudes, julgam-se independentes senhores de si mesmos, dignos de regurgitar, expelir, vomitar.
A falta de escrúpulos com os pares em sua existência, a utilização manipuladora e conveniente de hora estar cá e hora lá, o jogo rasteiro do embuste, revelam o desprendimento ético, e moral destes miseráveis que coexistem apenas circuncidados em seus egos e ambições.
São abjetos patológicos que não possuem raízes e parâmetros de comunidade, de equidade, de altruísmo.
Infelizmente a humanidade está cheia destes seres infecundos.

Henrique Matthiesen
Bacharel em Direito.

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