PROFESSOR ARIOVALDO VITZEL

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Ana Lucia Missaglia Guarnieri
“Chegar e partir são só dois lados da mesma viagem/ O trem que chega é o mesmo trem da partida/ A hora do encontro é também despedida”. Milton Nascimento
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Agradeço ao “Diário do Rio Claro”, sempre em aprovação às boas causas do Município, pela publicação desta singela homenagem ao Professor Ariovaldo Vitzel e Família.
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Ele, Professor Ariovaldo Vitzel (01 de Novembro, dia de Todos os Santos, 1932 – 06/03/2017) – ela, professora Sílvia Helena Prado Vitzel (13 de Outubro, Nossa Senhora de Fátima) iriam completar 60 anos de casados, dia 28 de Abril próximo.
Quando, em 2007, completaram suas Bodas de Ouro, convidaram-me a participar das comemorações, após vários encontros que, até então, tinham marcado nossa amizade: -“o Amor de Cristo nos uniu”, presente divino, nos momentos de alegrias e de tristezas.
A morte e a vida nos surpreendem em seus mistérios. Antes da sua partida, professor Ariovaldo tinha dito à Sílvia: “Quero morrer depois, para cuidar de você”.
Descendente de alemães-austríacos, quando menino, Ariovaldo caminhava, descalço, do sítio até a Escola Industrial, onde não só concluiu os estudos, mas depois se tornou excelente professor na área do ensino profissionalizante de Rio Claro.
Quando a Escola passou a ter seu novo e notável núcleo na Escola Prof. Armando Bayeux da Silva, Professor Ariovaldo foi seu Diretor-Substituto, ocupando, posteriormente, o mesmo cargo, na Escola Estadual Michel Antonio Alem. Dedicação extrema e desempenho exemplares foram suas credenciais, cuja exigência de observação, mais tarde, formou de bons a ótimos profissionais, agradecidos pela aprendizagem do ensino recebido.
Foi em 1957 que Professor Ariovaldo contraiu matrimônio com a recém-formada professora da Escola PP. Coração de Maria , Sílvia Helena, que se tornou a “menina dos seus olhos”. Deste matrimônio, Dr. Ariovaldo Vitzel Júnior, brilhante Advogado rio-clarense, foi o filho amado, pai da hoje não menos brilhante Dra. Marcela , mãe da linda princesa Manuela (7 anos) que desenhou uma nuvem chorando, no dia do falecimento do bisavô, Professor Ariovaldo.
Nas comemorações de aniversário que Sílvia preparava para a neta Marcela, pude observar, mais de perto, a generosidade dele e a dela. Compravam uma bela boneca e teciam o seu vestido de bombons artesanais, feitos por eles, embalados de cores suaves a parecer um conto de fadas. Chamavam-me para ver; queriam compartilhar a alegria do momento. Professor Ariovaldo, cuja mãe se chamava Francisca, gostava da perfeição de Deus e daquela que sua esposa externava com delicadeza, pureza e graça, de modo a despertar e a fazer parte do mundo lúdico da Marcela.
Aposentado, professor Ariovaldo passava grande parte de seu tempo no sítio e se deixava fotografar ao lado de abóboras “gigantes”, produtos da terra e da bênção de Deus, que seguia com gratidão.
Católicos praticantes, às vezes, a pedido de Sílvia, ele me entregava a Capela de Nossa Senhora de SHOENSTATT, no portão de casa, e me dizia: “- Tudo de bom”. Falava menos com palavras e mais com atitudes e boas ações.
Exemplo de filho, de esposo, de pai, de avô, de bisavô, de excelente Professor e Diretor, de cidadão, de bom e cordial vizinho, amante da Natureza, humilde perante Deus, em tudo isso, nós o encontramos como mestre. O mestre que nos deixou com a despedida da linda bisneta Manuela: como uma nuvem chorando…
Que Sílvia, descendente de Portugueses, em cuja alma e coração se vê a humildade inteira, do jeito que agrada a Deus, e se encontra uma fé inabalável de quem nasceu no Dia de Nossa Senhora de Fátima, não por acaso, bem como os seus distintos familiares possam selar, no Onisciente, Onipotente e Onipresente Deus, a ação de graças de que “a hora do encontro é também despedida”, é libertação para o Professor Ariovaldo Vitzel, que tudo cumpriu com grande Amor pela Vida, e saudade para os que ficam. ….

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