PÉROLAS REPARTIDAS

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Ana Lucia Missaglia Guarnieri
“…Eu vos digo: amai vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem. Assim vos tornareis filhos do Vosso Pai que está nos céus. Ele faz nascer o Sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos” (Mateus, 5, 38-48, Evangelho de Domingo, 19/02/2017).
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“Só o serviço da bondade ao próximo abre meus olhos ao que Deus faz por mim” – Papa Bento XVI-pois “para vencer é preciso saber por qual lei nos regemos, se é a Lei do Amor ,que está imbuída da não-violência, da humildade e do Amor feito ação”(Pe. José Plaza Monárdez, Chile).
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Pois é… Desta vez, as pérolas repartidas são do psicanalista, professor, escritor, ex-pastor ecumênico, pai de família, educador e teólogo, Rubem Alves (15/09/1933 – 19/07/2014).
Escreveu-nos ele que se comparado ao computador os nervos do cérebro humano são seu HARDWARE (quando está mal precisa de remédios) e que a parte mole , SEU SOFTWARE, são os seus pensamentos.
Ah!… Os pensamentos… Como psicanalista, Rubem Alves adverte que a Filosofia é um monte de pensamentos (ideias) dentro da cabeça de como são as coisas. E para se ver é preciso cabeça vazia. E cita Alberto Caiero (um dos pseudônimos de Fernando Pessoa) quando escreve: “Não é bastante não ser cego para ver árvores e flores: é preciso não ter filosofia nenhuma”.
Daí a necessidade do silêncio. Silêncio que um amigo de Rubem Alves, Jovelino, foi procurar nos Estados Unidos, junto aos índios, onde se fazia um longo silêncio, antes que o primeiro iniciasse a fala. As ideias estranhas foram expulsas e assim se prestava atenção ao que o outro tinha a dizer. Diferente de quando, em seguida ao interlocutor, já se opina: “Ah, isso eu já sabia”. Ou quando se anula a história que o outro veio nos contar. Para o educador , isso é uma bofetada e conclui: “Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve em silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros”.
Ainda é Rubem Alves que se lembra do papel da Ciência de outros tempos cuja única finalidade do pensamento científico era aliviar o sofrimento e tornar possível a construção do paraíso. Até a proposta do grande educador para as revoluções são ferramentas do sofrimento para que as pessoas possam ser livres e usufruir o jardim. E faz uma distinção entre prazer e alegria: “o prazer de comer um caqui precisa de um caqui. Alegria é um sentimento manso que não depende de ver o objeto. Existe um preparo da comida antes que o filho chegue. Só uma memória faz sorrir”.
Hoje através da Internet e de suas multiplicações se pode exibir os pensamentos do mundo que estão condensados num a pastilha, cabendo no bolso ou na tecnologia de um PEN DRIVE capaz de reproduzir emoções. “O pensamento é perigoso” (Rubem Alves) e Machado de Assis já o antevira com capacidade de tomar a forma de um “X”, muito antes dos reprodutores da Internet. Até sobre o fim dos tempos (não do mundo) ele previu o misterioso ano de 2.222, onde as transformações benéficas poriam fim aos pensamentos negativos que tomam conta dos que não acreditam no Cristo, que dividiu a História em antes e depois do Seu Nome, na Sua Segunda Pessoa da SS. Trindade.
Ao contrário dos pensamentos humanos que cabem num dispositivo minúsculo, João (21, 25) afirma que se fossem escritas, uma por uma, as coisas e as muitas outras, que Jesus fez, o mundo não poderia conter nos livros que se quisessem sobre elas escrever.
E porque a Língua é a palavra através de que se exprimem pensamentos, emoções, crenças, vejamos que a Itália que se unificou bem tarde (1861) humilhada e conformada com a dominação européia, ainda podia, em dialeto, dizer: FRANZA O SPAGNA PURCHÉ SE MAGNA (França ou Espanha, contanto que possa comer).
Mais tarde, intelectuais pesquisaram o dialeto mais bonito para a língua italiana e voltaram uns 300 anos na História: encontraram, em Florença, o maravilhoso poeta, Dante Alighieri, e ,através da sua Divina Comédia, em terza rima, uma cadeia de versos em que cada rima se repete 3 vezes a cada 5 linhas, criaram o vernáculo em “ritmo cascata”, que sobrevive, até hoje, nas falas dos taxistas, açougueiros e funcionários públicos da Itália. E, no Paraíso, Dante escreveu: “Deus não é uma imagem ofuscante de luz, mas Ele é, acima de tudo, L’AMOR CHE MOVE IL SOLE E L’ALTRE STELLE (O Amor que move o Sol e as outras estrelas).
Este mesmo Sol de que Cristo é a luz que brilha sobre os bons e os maus (Evangelho de Domingo) esperando que nossos gestos de bondade iluminem nosso caminho.

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