AMÉLIA DO ANO 2000

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JUAREZ ALVARENGA

Em dois mil anos de cristianismo, constata-se que a mulher teve um papel e participação muito acanhada na vida social, talvez em razão do machismo reinante em outros tempos, tanto que a mesma só veio a ter direito ao voto em 1934, enquanto a primeira juíza brasileira, a título de exemplo, somente veio na década de 70.
Hoje, ao contrário, do que ocorria àquela época, está havendo uma feminização no judiciário, assim como em todos os seguimentos da vida social moderna.
Conquistas notáveis vêm predominando este inicio de século. Houve uma reformulação substancial no Código Civil, inclusive e principalmente, na Constituição, denominada cidadã, pelo ilustre Deputado Ulisses Guimarães, onde, indiscutivelmente, sob a proteção da lei, constata-se o nivelamento da mulher ao homem.
Para nós, o problema da mulher não é conjuntural, nem institucional, mas antes, salve o melhor juízo, o entendemos natural.
Vários anátemas vem analisando a mulher, mas para sintetizar, nos permitimos mencionar quatro diferentes, sendo a primeira de um teatrólogo carioca que diz: “toda mulher gosta de apanhar, pelo menos, as normais”. Reacionária e fora de moda, perde sua aplicabilidade.
Outro é do dramaturgo inglês ao afirmar: “quando mais convence uma mulher, mais convencida ela fica”. Isto é aplicável ao gênero humano, não exclusivamente a mulher.
O terceiro é de um filosofo, quando sintetiza: “a mulher, para amar precisa sentir-se inferiorizada”. Admitindo-se, ainda que remotamente, verdadeira tal afirmação, nos restaria indagar que tipo de inferioridade, qual seja, seria sob o aspecto sexual, intelectual ou econômico? De qualquer forma não compartilhamos da idéia de que isto, realmente ocorra.
Finalmente, lembramos-nos do que pronunciou uma poetiza mineira, quando afirma: “que ela, como mulher, gostaria de ser amada e não emancipada”.
Com a liberação sexual feminina, a mulher conquistou seu espaço profissional. Dedicada, organizada e sensível aos problemas da sociedade moderna, ela vem, substancialmente, aumentando seu espaço.
A música denominada “AMÉLIA”, uma das maiores preciosidades da MPB, onde seu autor, em uma de suas estrofes filosofa: “Amélia que era mulher, de verdade, passava fome ao meu lado, e, achava graça não ter o que comer…”. Hoje as Amélias do ano 2000, não se enquadram nesta filosofia poética, vez que já não mais passam fome ao lado dos seus esposos, mais antes, tratam deles. De expectatora da omissão passou a ser protagonista da situação.

E MAIL:juarezalvarengacru@gmail.com

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