CONSTRUIR PARA…

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Ana Lucia Missaglia Guarnieri
“Falamos da misteriosa sabedoria de Deus, escondida, desde a eternidade, que Deus destinou para nossa glória. Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa sabedoria. Pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória” (1 Cor. 2, 6-10, O Domingo, 12/02/2017).
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Na semana passada (08/02/2017) o “Diário do Rio Claro” publicou um fato preocupante com o que vem acontecendo em murais de algumas escolas com personagens de um dos maiores cartunistas do país, Maurício Araújo de Sousa, ao serem depredados.
A Mônica deformada pode ser indício do que acontece, há séculos, com a desfiguração do ser humano, agora, por não acreditar “ no Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo(João, 1, 29).
Paulistano e artista plástico, Maurício de Sousa, através de suas filhas, Mônica, Magali e Maria, criou a Turma da Mônica com objetivo de levar ao público infantil e adulto a leitura da leveza e do bom humor com que se pode tratar dos problemas da espécie, mas a “velha” deformação tem tomado conta não só da Mônica mas, de outros personagens. (Desde 2015, a estátua da Mônica está sem cabeça, em São Paulo, na praça dedicada à sua Turma, seguida do vandalismo que destruiu Cascão).
— Será este “um bom alimento” às crianças, aos pequeninos habitantes desse mundo?
— De onde nasceu o preconceito contra as idades (sobretudo da criança e do velho), o orgulho anti-racial, o fanatismo religioso, a rejeição de nação contra nação, o antissemitismo extremo do nazismo, que matou mais de 6 milhões de judeus (Auschwitz, tristeza sem dimensão da História do holocausto deste povo) e relatos de tantas outras inumeráveis atrocidades contra a espécie, sobretudo, a humana, senão de ideias degenerativas, sem contato com Deus?
Hoje as radiografias revelam um pouco da nossa imagem interna, que o Cristo Senhor revelara, esplendidamente, (sem interruptor ou tomada) através da Sua Gloriosa Transfiguração e ressuscitando, assim, os mortos do seu tempo, até a Sua Ressurreição definitiva, à direita do Pai.
Apesar de já se ter dito que “quem gosta de beleza interior é o decorador”, a reflexão é mais profunda.
Deformado, desfigurado pelo espírito de destruição, pelo mal avassalador que tem por objetivo acabar com o Seu Reino de Glória e de Paz, Cristo crucificado ora pela humanidade inteira: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”: é deste Amor, que se nasce para a vida eterna.
Quando o Evangelho de Domingo insiste em que “nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa sabedoria, pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da Glória”, constitui-se também em alerta para as “Mônicas” deformadas a partir da infância e nos murais de escolas! (Poderosos – independente de dinheiro ou status- podem ter conotação dos que agem não a favor da construção, mas contra a vida do ser humano, que é, antes de tudo, patrimônio da humanidade).
Foi Dante Alighieri quem, na Divina Comédia, passou pelo inferno, pelo purgatório e pelo paraíso (Idade Média) encantado por sua Beatriz, que o levou a confiar na vida mais que na morte. Pois ele calculou a existência humana em 3 vezes 20 anos, mais 10 (=70) e em caso de mais 10, como eventualidade ou a pequena-grande glória do ser humano de ter vivido até aqui.(Sem exceção, todos vamos morrer).
Se ao olhar para Cristo crucificado pelo pecado e n’Ele não se enxergar o Amor do Pai por toda a criação e por nós todos, não se está apto a Construir (=”empilhar juntos) para a Vida em abundância. Passar longe do ferido e não cuidar dos seus ferimentos, como Ele o fez como nosso Caminho, é apoiar, friamente, o LAISSEZ FAIRE, LAISSEZ PASSER dos que, durante o curto tempo da existência ,trocam a beleza da vida, no ato piedoso de socorrer o necessitado ,pelo inferno da inexistência.” Nenhum de nós vive para si”(Apóstolo Paulo , Romanos, 14,7).
Como o belo deve ser alimento da alma, Vinicius de Morais ganhou interpretação impecável (sem rasuras) com a sua MEDITAÇÃO, através de Andrea Motis, Joan Chamorro Quintet & Scott Hamilton, cujos versos finais reproduzimos aqui: “ Quem depois voltou ao amor, ao sorriso e à flor/ então tudo encontrou/ pois a própria dor revelou/ o caminho do amor e a tristeza acabou”.(E a cartilha é construir para…)…

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