O Centro Cultural “Roberto Palmari”

Anexo ao “Parque Municipal do Lago Azul”, o Centro Cultural “Roberto Palmari”.

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Paisagem do “Lago Azul” vendo-se o Centro Cultural “Roberto Palmari”

Proposto pelo prefeito Oreste A. Giovani, o Projeto de Lei 30/76, encaminhado ao Legislativo em 1976, solicitava autorização de convênios com o Governo de Estado para a construção de um centro cultural no Município de Rio Claro.
Tal proposta, com o total apoio do Legislativo, tendo à frente o vereador Nevoeiro Júnior, resultou na Lei n. 1417, de 29 de setembro daquele mesmo ano.
No ano seguinte, 1977, eleito como prefeito, o Prof. Dermeval da Fonseca Nevoeiro Jr. iniciou os estudos preliminares do projeto de arquitetura, local adequado, consulta a engenheiros especializados e parcerias.
Com 7 500m2 de área construída, junto ao “Lago Azul”, obra começada em fevereiro de 1979, o “Complexo Arquitetônico Cultural Rioclarense” abrigaria Museu de Imagem e Som, Biblioteca, Auditório, Arquivo Público, Restaurante, Salas de Exposições e Administrativas, Banheiros, lojas, e principalmente, um Teatro com dependências completas (o São João, primeiro “Theatro” da cidade, de 1864, era o segundo mais importante da Província).
Em 20 de junho de 1981, no aniversário de 154 anos de Rio Claro, foi inaugurado pelo então prefeito, Nevoeiro Júnior, a ala “artística” do importantíssimo “Complexo Arquitetônico”, com início das atividades culturais (as demais, operadas em 1982).
O Centro Cultural recebeu, em 1993, a denominação “Roberto Felippe Palmari”, em justa homenagem ao cineasta rio-clarense, reconhecido internacionalmente.
Na atualidade, sem manutenção por oito anos, as fachadas do edifício do Centro Cultural “Roberto Palmari” exibem espessas camadas escuras de sujeiras solidificadas. Nas paredes, ao seu redor, as pichações se alastram. Internamente, nos dois pavimentos, infiltrações das chuvas que comprometem as estruturas. A plateia do Teatro, os camarins, o salão de ensaios, depósito, marcenaria e montagem de cenários são os locais mais afetados por centenas de goteiras. Seguidos do Auditório e da Biblioteca. As fiações elétricas, o acervo arqueológico, os antigos projetores de cinema (doados pelo brilhante e inesquecível engenheiro Dr. Marcos Antonio Padula, para lá remetidos pela então coordenadora do Museu HP “Amador Bueno da Veiga”, os objetos remanescentes do Teatro Fênix (o prédio do Theatro São João, amplamente reformado em 1888, teve alterada a nomenclatura para Theatro Phenix), os livros, documentos, vídeos, o piano e a caríssima aparelhagem técnica para gravações, deterioram com o efeito estufa. O aparelho de ar-condicionado é precário. Criadouros do mosquito da dengue, de insetos e pombas se multiplicam. Os espetáculos mínguam.
Descaso maior foi à colocação de degraus no prolongamento da rampa de acesso para deficientes físicos, junto do estacionamento de veículos.
Em melhor condição não se encontra o “Parque Municipal do Lago Azul”.
Registra-se que o Centro Cultural de Rio Claro, maior obra ao longo dos 189 anos de nossa história, representa de modo perfeito, o sentido do desenvolvimento e culto à inteligência.

 

Fachada de entrada do Centro Cultural “Roberto Palmari”
Fachada de entrada do Centro Cultural “Roberto Palmari”
Salão de ensaios alagado pelas águas da chuva
Salão de ensaios alagado pelas águas da chuva
 Prédio do Centro Cultural visto do “Lago Azul”
Prédio do Centro Cultural visto do “Lago Azul”
Inundação no entorno do Centro Cultural
Inundação no entorno do Centro Cultural
Interior do Teatro alagado
Interior do Teatro alagado
 Sala alagada vendo-se, ao fundo, os antigos projetores de cinema
Sala alagada vendo-se, ao fundo, os antigos projetores de cinema
Interior do Teatro alagado
Interior do Teatro alagado
Vista do “Lago Azul” com cercadura quebrada
Vista do “Lago Azul” com cercadura quebrada
“Parque do Lago Azul” vendo-se o monumento ao Sesquicentenário pichado e placa informativa subtraída
“Parque do Lago Azul” vendo-se o monumento ao Sesquicentenário pichado e placa informativa subtraída
Criadouro de baratas no andar superior do Centro Cultural
Criadouro de baratas no andar superior do Centro Cultural

 

Anselmo Ap. Selingardi Jr.
Perito Judicial em Arqueologia e Documentação Histórica
Inscrição: N. 1417 SP

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