OS AMIGOS DO GILMAR

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A expressão amigo vem do latim “amicu”, que tem seu significado confidente, querido, favorável. Todas elas reveladoras de um sentimento afável, acolhedor, cordial, afetuoso implicitamente, nascedor de uma relação de intimidade.
Indubitavelmente, um sentimento nobre, sublime, que deve ser fecundado em tempos brutais no qual a contemporaneidade vive.
Muitos poetas, escritores, filósofos ponderam sobre esse sentimento. Agnaldo Rayol, uma das vozes mais importantes do Brasil já cantou: “Amigos para sempre” cujo trecho diz:
“Amigos para sempre é o que nós iremos ser.
Na primavera ou em qualquer das estações.
Nas horas tristes nos momentos de prazer.
Amigos para sempre”.
Outro como Milton Nascimento, em Canção da América canta:
“Amigo é coisa para se guardar,
Debaixo de sete chaves,
Dentro do coração”.
Uma das altas figuras da República pratica esse sentimento incontestemente nos bastidores do poder. Trata-se do Ministro do Supremo Tribunal Federal, sua Excelência, Gilmar Mendes.
Amigo dos amigos, o nobre ministro não esconde seu apreço por José Serra, Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer, entre outros.
Uma questão pessoal dele, seu gosto e suas preferências se ele não fosse Ministro do Supremo Tribunal Federal, cuja atribuição é julgar atos de corrupção destas excelências, além de ser Presidente do Tribunal Superior Eleitoral que julgará a prestação de contas da chapa Dilma e Temer, que poderá cassar o registro.
Recorrendo à Antiguidade, encontramos em 63 a.C, César eleito para a posição de pontífice máximo. O sumo sacerdote da religião estatal romana, o que lhe dava direito a uma residência na Vila Sacra. Em 62 a.C., Pompéia realizou um festival em homenagem a Bona Dea (boa deusa), no qual homem nenhum poderia participar, em sua casa. Porém, um jovem patrício chamado Públio Clódio Pulcro conseguiu entrar disfarçado de mulher, aparentemente com o objetivo de seduzi-la. Ele foi pego e processado por sacrilégio. César não apresentou nenhuma evidencia contra Clódio e ele acabou absolvido. Mesmo assim, César se divorciou de Pompéia afirmando que “minha esposa não deve estar sob suspeita”.
Dando origem ao provérbio cujo texto é o seguinte “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.
Belo provérbio que o Ministro deveria seguir colocando-se impedido por relações afetivas de amizade com esses investigados e citados em inúmeros processos.
No entanto, as condutas costumeiras no Brasil divergem destes conceitos, pois a justiça que tem tido um viés cada vez mais ideológico e partidarizado tem contribuído para a crise institucional que vivemos.
Aqui, podemos mudar o provérbio para os ditos populares como, por exemplo: Diga com quem andas que direi quem tu és.
E assim, caminhamos para passar o Brasil a limpo numa ação entre amigos.

Henrique Matthiesen
Bacharel em Direito

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