VÍCIOS DESTRÓEM

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Por Geraldo J. Costa Jr.
O álcool e as drogas dominam e arrasam os que ousam enfrentá-los. Isso é público e notório. A linha que separa o efeito estimulante e criativo do álcool e das drogas da desgraça humana é imperceptível até mesmo àqueles que se consideram ou são considerados fortes, sábios e capazes. Portanto, é um limite perigosíssimo, que deve ser evitado. Numa analogia bastante simples, mas, nem por isso, desprovida de verdade, ultrapassar essa linha seria como comer do fruto da árvore do conhecimento.
Ontem, voltando do supermercado, por volta de 6 da tarde, vi uma mulher subindo a Avenida 4 em direção ao centro. Estava nua, da cintura para cima. Seus seios caídos, à mostra. Anos atrás eu a conheci. Seu nome é S. e não sei precisar a sua idade, mas, talvez, se equivalha a minha, embora ela pareça contar bem mais primaveras do que eu. Escrevia uns bons versos, como pude constatar no Gabinete de Leitura, certa ocasião. Depois, eu a vi outras vezes, entre a população de miseráveis que se abandonaram a si mesmos, residentes no Jardim Público.
O que leva as pessoas a se sujeitarem deliberadamente às nefastas e destruidoras consequências dos vícios do álcool e das drogas? Muitos já se fizeram essa pergunta. Muitas respostas foram apresentadas. Mas receio que cada caso difere do outro. Cada um sabe o peso da cruz que carrega.
Grandes inteligências, pessoas amáveis, admiráveis, sucumbem aos vícios. Eu mesmo poderia ter enveredado por esse caminho trágico, sem volta, tivesse minha família mantida as condições financeiras e sociais favoráveis de que dispunha até o início da minha adolescência.
L. é outra história que conheço melhor porque mais próxima de mim. Mais doída, portanto. E da qual inclusive, me sinto, em parte, responsável. L. foi mãe aos 16 anos, sem nenhum preparo para isso. Foi esposa até os 19, esforçando-se o quanto pode para ao menos manter as aparências. L. enterrou uma segunda filha de 4 meses de idade, para a qual dedicou toda sua força, fé, amor e tudo o que em si havia de bom. E, a partir daí, sua vida desmoronou. Porque a angústia que a ausência desta filha lhe causava a fez ir de encontro às suas fraquezas, más tendências, às quais, igualmente sucumbiu.
Hoje, L. tem 36 anos. A última vez que a vi foi no restaurante popular. Falava alto, quase gritando. Sua aparência em nada lembrava a menina bonita, sensual, agradável, bem humorada que conheci.
Eu me recuso a acreditar que, seja neste ou no outro plano da vida, alguém peça para sofrer. Isso me parece masoquismo. A felicidade é uma busca comum a todo ser humano. É uma necessidade para a sua própria existência. E quando não a alcança, quando não a conhece, mesmo que a encontre presente nas vidas alheias, a pessoa que não é feliz, beira à descrença, se lhe falta um maior entendimento do sentido da vida. E da descrença, surge a revolta e a indiferença para consigo mesma e o mundo à sua volta. Origina-se, então, a sua tragédia, que ela acaba conhecendo através dos vícios do álcool e das drogas. Vencê-los é possível. Mas demanda tempo e esforços tremendos. Melhor não enfrentá-los.
O colaborador é escritor
jcostajr2009@gmail.com

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