O que é ser fiel no matrimônio?

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Por: Eduardo Sócrates Bergamaschi

Um dia, exatamente em 22 de novembro de 1975, portanto há quarenta anos e onze meses eu prometi fidelidade matrimonial à Lia, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.
Confesso que naquela época, com apenas 25 anos, não tinha a dimensão do que significava aquela promessa. Até que um dia, em 1991, a Lia foi diagnosticada com câncer de mama. Dezesseis anos de casados, quatro filhos, e a Lia com apenas 36 anos. Vimos o chão sumir de nossos pés, flutuamos no desespero, pelo menos nos primeiros momentos após a notícia.
Mas, aquele era o momento de estarmos juntos e já tínhamos passado por dissabores e conseguimos nos reerguer. Afinal, nós havíamos prometido um ao outro que namoraríamos até velhinhos e porque não até a eternidade.
Enfrentamos todas as fases, quimioterapia, queda de cabelos, mastectomia, juntos. Foi fácil? Nem um pouco.
A mulher, nessa situação, o que é muito normal, perde a auto estima, fica super sensível e pequenos atos se tornam uma enorme causa para baixo astral. Mas, nada fazia mudar os meus sentimentos de marido, de amante, de confidente, de cumplice. E é assim que conseguimos suplantar os primeiros anos de sofrimento. Passaram-se 13 anos do primeiro diagnóstico, todos consideravam que a cura já era um fato, veio o segundo golpe. Mais uma vez diagnosticado outro câncer na mesma mama, daí a necessidade de uma mastectomia radical.
O golpe foi duro, mas desta feita foi de mais fácil assimilação. Testamos mais uma vez, os nossos sentimentos, o verdadeiro sentido do nosso amor, o verdadeiro sentido daquele juramento: na saúde e na doença.
Li em um artigo sobre este assunto que uma pesquisa realizada pelo Fred Hutchinson Cancer Research Center, nos Estados Unidos que aponta que 21% dos homens se afastam da esposa depois do diagnóstico de problemas sérios de saúde, como o câncer.
Eu acredito no que diz Renata Vasconcelos, missionária da Comunidade Canção Nova, jornalista e autora do Livro Te Prometo ser fiel na saúde e na doença pela Editora Canção Nova: “A verdade é que quando as mãos se unem no altar, só devem se separar no caixão, e, para quem crê, permanecem unidas para a vida eterna. Por mais que alguns digam não precisar ou não querer, as leis naturais de Deus estão impressas no coração do homem, portanto, cada um de nós busca um amor que nos ame na alegria e na tristeza”.
Hoje eu e Lia estamos brigando contra o terceiro câncer, desta feita no sistema linfático, quando, segundo diagnóstico médico, não cabe mais cirurgia. Estamos apenas controlando a doença, de mãos dadas, nos SUPORTANDO. Sim, suportando, sendo o suporte, sendo a muleta um do outro.
Se voltasse a me casar novamente com a Lia eu, no altar, diria a ela: “Eu te prometo ser fiel na saúde, na doença, com ou sem cabelo, com ou sem seio, com bom ou mal humor, não até que a morte nos separe, mas até que Deus nos una na eternidade”.
Este texto, confesso que foi inspirado em outro sobre o mesmo assunto, escrito pela Renata Vasconcelos e eu o escrevi como homenagem ao OUTUBRO ROSA e para mostrar a muitos homens e a muitas mulheres que aos 20, 30, 50, 60 anos, com saúde ou não, aquele (a) que está à sua frente, ou melhor ao seu lado, é a mesma ou o mesmo a quem você jurou amor eterno, quando se consagraram um ao outro no altar de Deus Nosso Pai.

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