A TRAVESSIA DO AMOR

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Por Geraldo J. Costa Jr.

07/10/2016

Dionne Warwick, em dado momento, canta assim, naquele que é o seu maior sucesso: I know I’ll never love this way again. Traduzindo: Eu sei, eu nunca vou amar assim de novo.

Não sei se vem ao caso, mas chegar à meia-idade ou aproximar-se dela, nos leva inevitavelmente a refletir sobre a vida.

É o momento daquela pausa necessária, em que olhamos para trás, com grande receio do que iremos encontrar.

Mas talvez não haja motivo que justifique tanto medo. Os acontecimentos que marcaram nossas mentes e nossos corações estão sepultados no álbum de memórias. E lá permanecerão para sempre. Eles não têm mais nenhuma influência e nenhum poder sobre nós. O problema é que leva tempo até que a gente se convença disso.

Somos hoje o resultado do que fizemos ontem. Simples assim. Mas, creia-me, caro leitor, você é muito melhor hoje. Talvez não seja na aparência. Mas por dentro, que é o que conta, você é sim.

Eu, por exemplo, sou bem melhor hoje. Perdi a arrogância, aprendi a viver com o suficiente. E até me acho mais bonito. Ah, escrevo melhor, também. Bem melhor do que quando tinha, por exemplo, 19, 20 anos.

Há um modo positivo de lidar com as aflições da vida. Digerir as frustrações, assimilar os golpes, aprender com as derrotas. É só encarar tudo como forma de aprendizado humano. Em outras palavras, aperfeiçoamento moral.

A gente começa essa vida sabendo que mais dia menos dia, ela, a pobre vida, irá terminar. Se você é como eu, que acredita que alguma coisa há depois disso, eis a razão pra você continuar buscando melhorar-se. Quem é prudente evita surpresas. Já ouviu falar, não? E se acaso, você acha que tudo começa e termina aqui, tenha ao menos a dignidade de devolver o pacote do modo como chegou às suas mãos.

Duas coisas, dois desafios, tiram o nosso sono. O êxito profissional e a felicidade no amor. Não sou a pessoa mais indicada para tratar sobre isso. Quebrei a cara nos dois quesitos do projeto de felicidade humana.

Quanto ao amor, a parte mais interessante da história, convenhamos, não sei se plantei sementes ao longo do caminho, ou se levantei paredes que no passado incerto e esquecido ajudei derrubar.

Não vou dizer que não tenho esperança, tenho. É que pessoas algo sensíveis, feito escritores, parece que tem fascínio pelas histórias com final triste.

Sabe, caro leitor, escute o seu velho amigo aqui: Se você ainda sente aquela vontade de atrair para si o olhar de alguém; se ao ouvir a voz de alguém você se emociona. Se um abraço de 8 segundos, ainda tem o poder de arrancá-lo dessa dimensão da vida e levá-lo para uma outra, linda, imensa e bem melhor. Mesmo que você já esteja naquela fase da vida em que precisa disfarçar a calvície e as olheiras. E fazer exercícios pela manhã, por recomendação médica. Mesmo que não consiga mais ler sem os óculos. Que emoções do passado ressurjam vez em quando, a cada vez que você ouve uma música, lembra-se de um filme, um fato histórico…

Não perca mais tempo. Entenda vez por todas, que aí, dentro de você, a chama se mantém acesa. Chame-a de amor, de vontade de viver, de ser feliz, como quiser. Mas não permita, jamais, que ela se apague.

Alguém, em alguma parte do mundo, talvez, ao seu lado ou mais perto do que você imagina, pensa do mesmo modo. E às vezes, para que a chama incendeie o coração, basta um olhar, um bom dia, uma boa tarde… uma boa noite… Uma frase, feito esta: Puxa, como você está linda hoje!

*Publicado originalmente no Blog Passa a Régua: http://passaaregua.blogspot.com.br/

Geraldo J. Costa Jr. é escritor. Autor de “A Tarde Demora a Passar” e “O Intermediário”, ambos pela editora Lexia, e “Sob o Manto da Noite”, pela editora Multifoco.

http://www.passaaregua.blogspot.com.br/

Contatos com o autor: 9-9821-8329

jcostajr2009@gmail.com

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