A Fonte do Índio

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O Jardim Público, conhecido como “Largo do Theatro,” foi inaugurado em 2 de dezembro de 1888, no mandato dos Vereadores de 1887, tendo à frente o Coronel Gualter Martins, que acabara de renunciar ao título de Barão. Localizava-se entre as avenidas um e dois, ruas três e quatro, defronte ao Theatro Phênix, São João.
Como marco comemorativo da inauguração ergueu-se um monumento denominado “Cascata do Jardim” (chamado de Gruta, hoje atual Lago da Diana Caçadora).
No período de 1900-1901 o Jardim recebeu ampla reforma inserindo-se outra quadra onde fora construída a Matriz Nova (segunda Matriz de Rio Claro, mal projetada, inacabada, cujas ruínas permaneceram por mais de quinze anos; demolida em 1884), ampliando os limites entre as avenidas um e três, ruas três e quatro.
Naquela ocasião recebeu gradil de ferro. Fechou-se a avenida um. Alterado o nome para Praça XV de Novembro. Sobre os alicerces daquela segunda Matriz foram construídos os monumentos da Fonte do Índio (estátua em cimento, homenagem aos índios Caingang, com aldeamentos no Município) e do comemorativo da implantação da luz elétrica pelo Coronel Joaquim de Campos Salles (demolido em 1914, para dar lugar à escultura do Barão de Rio Branco).
No início da década de 20 o industrial Floriano Bianchini comprou, por quinze contos de réis, o gradil do Jardim Público. Faz parte desta relíquia o portão da Santa Casa de Misericórdia e a grade da igreja Luterana.
Na comemoração do centenário de fundação da cidade, em 24 de junho de 1927, gestão do prefeito Irineu Penteado, colocou-se na Praça XV a escultura “Anjo da Concórdia”, doada pela comunidade Italiana.
Com a Revolução Constitucionalista de 1932, quando o primeiro rio-clarense Sargento Othoniel Marques Teixeira foi morto na luta, seu nome foi dado à porção da Praça compreendida pelas avenidas um e três, ruas três e quatro (outros desaparecidos foram Benedicto Carlos Brunini e Domingos Massulo).
Os históricos bancos de granito artificial com propagandas e os decorativos vasos estilo Corinto foram colocados. Instalou-se, também, o serviço de alto-falantes “Primavera”, fundado pelo Sr. Aziz Haik, mais tarde dirigido por Nicolau Haik.
Em setembro de 1941 Rio Claro recebeu visita da Missão Militar Paraguaia. A comitiva, assinalando a sua passagem, plantou no Jardim Público um exemplar de pau-brasil.
Durante a modernização realizada no Jardim Público, em 1960, na gestão do prefeito Francisco Scarpa, mais de cem árvores foram removidas; demoliu-se a Cascata (“Gruta”, substituída em 1961 pelo Lago da Diana). No lugar do Coreto, vindo colocada escultura em homenagem a Carlos de Carvalho): retirado todo sistema de iluminação e a mureta ornamental. Deu-se início, assim, à substituição de antigos prédios que o rodeavam.
Festividades e comícios no Jardim Público foram proibidos pela Lei n. 796, 10 de agosto de 1962.
O atual Coreto, denominado Fábio Marasca, de estilo oriental, projetado pela firma “Campagnone”, foi inaugurado em 18 de janeiro de 1972 pelo empreendedor prefeito Dr. Álvaro Perin.
Na administração do prefeito Dr. Azil Francisco Brochini, a então diretora de Patrimônio Histórico e Cultural, Maria Antonia Gardenal Molon (Arquivista, profunda conhecedora da história rio-clarense, com inúmeros projetos realizados no Museu HP “Amador Bueno da Veiga” e Arquivo PH “Oscar de Arruda Penteado”), contratou o competente escultor Gentil Fier para executar a restauração da Fonte do Índio (alunos das escolas estaduais “Diva Marques Gouvêa”, “Barão de Piracicaba” e Sílvio Araújo” participaram dos trabalhos).
Recolocou-se a cabeça do índio (arte em cola, gesso pó de mármore e cimento), além da remoção de diversas camadas de tintas do monumento, principalmente da estátua.
A solenidade de reinauguração da Fonte do Índio, prestigiada pela população rio-clarense, foi aberta com as emocionadas palavras da professora Maria Aparecida Bilac Jorge que, denominando o Jardim Público como “Ilha Verde”, declamou a poesia que fizera em homenagem a Rio Claro, intitulada “Uma Coisa & Outra”: “O homem está na cidade/como uma coisa está na outra/e a cidade está no homem/que está em outra cidade”./(Ferreira Gullar, Poema Sujo)/”O Índio/o chafariz/ A Praça/A Liberdade/A Matriz/e São João/A Avenida do Visconde/onde o córrego se esconde/A Avenida Um/onde a vida escorre/O rumor das árvores/os homens de bronze/A Rua Três/o freguês/A Avenida Brasil/o progresso/a poluição/O Benitão/o Azulão/o povão/O azul intenso/o amor imenso/o claro dia/Rio Claro”.
Lembrado que, no entorno da Fonte do Índio acontecia à famosa exposição de orquídeas, realizada pelo valoroso Círculo Rioclarense de Orquidófilos – CRO. Posteriormente o monumento foi cercado por grade de ferro.
Cumpre ressaltar a recente restauração da estátua do índio desenvolvida pelo conceituado artista plástico Daniel César Maximo Arantes.
Na atualidade, o Jardim Público que abriga importantes espécies de árvores e monumentos históricos de relevo internacional (principal área turística do Município e a mais visitada), formado pelas Praças XV de Novembro e Othoniel Marques Teixeira, situado no perímetro de proteção da Estação Ferroviária, foi tombado pelo CONDEPHAAT.
Lamentavelmente, o “Lago da Diana”, um dos mais tradicionais patrimônios do município foi descaracterizado pela despreparada gestão municipal em exercício. Sem contar a subtração da escultura em bronze da “Diana Caçadora” de paradeiro incerto e não sabido.

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Anselmo Ap. Selingardi Jr.
Perito Judicial em Arqueologia e Documentação Histórica
Inscrição: N. 1417 SP

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