O DIREITO À SAÚDE

382

Importante periódico do nosso país publicou hoje, os planos do novo governo brasileiro para conter os gastos públicos, entre outros, à custa de um povo. Pareceu-lhes muito fácil fazer cortes na saúde. É só uma canetada. Papel aceita tudo!
Agora eu pergunto: o que é um povo sem saúde? O que farão os cidadãos que passando por dificuldades trazidas pelo desemprego e inflação, entre outras causas que não compete a esta croniqueta, que deixaram de pagar seus convênios médicos particulares, amparando-se, obrigatoriamente, nos tratamentos que deveriam ser oferecidos pelo SUS? E aqueles, mais de 70% que nunca tiveram posses para pagar planos particulares de saúde e que têm descontos no seu salário para, entre outras promessas institucionalizadas, “cuidar da sua saúde” e a da sua família, através do SUS?
Não existem justificativas para tal decisão governamental, não existem na língua portuguesa, adjetivos que qualifiquem toda a quadrilha de colarinho e gravata, que por trás de uma mesa, sem contemplação dos direitos humanos, decidem a vida ou morte dos cidadãos. Não existe capacidade de gestão, respeito aos direitos adquiridos dos associados, preservação da dignidade do cidadão doente e ao profissional da saúde, valorização ao direito mais primário que é a vida, entre outras arbitrariedades e agressões que cometem diuturnamente.
Esses “senhores da nação” deveriam utilizar-se dos serviços da Previdência Social, enfrentar filas de um ponto de ônibus para chegar aos postos de saúde pública, esperar horas para consultas e cirurgias, e, se não pudessem esperar em pé, deitar-se nas macas imundas dos hospitais sucateados por falta de verbas. Tudo isso, em nome da salvação da previdência social do seu país. Em vez disso, recorrem aos melhores hospitais do país e do exterior, transportam-se nos jatinhos pagos com recursos do povo espezinhado, cuidam e, à sua família, regiamente, sob os avanços científicos de última geração e os melhores médicos e medicamentos.
Para estes, a preservação da saúde vem, primordialmente, de ótima qualidade de vida que desfrutam, eles e suas famílias, bem longe das agruras dos menos favorecidos.
Aos demais cidadãos, se é que os “senhores da nação” podem ser chamados “cidadãos”, sobra o direito de morrer rapidamente para dar lugar ao próximo agonizante. Para estes, o sacrifício dos cortes na saúde é “direito obrigatório”. Tudo porque o país precisa economizar verbas, enquanto outros se prevalecem criminosamente delas. Seria cômico se não fosse trágico.
Nojo, é o primeiro vocábulo que encontro para conceituar os “senhores da minha nação”.
Meu pobre país rico! Ai, de ti meu Brasil !
Eneida Freixosa Iglesias

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA