DIÁRIO DO RIO CLARO

401

Por Geraldo J. Costa Jr.

Pela variedade inesgotável de assuntos que diariamente apresenta ao público leitor, o jornal é aquele companheiro de todas as horas. Das melhores e das piores horas. O Carlão do Araucária, exímio pintor, funcionário público municipal, todas as manhãs, lê as tirinhas publicadas, enquanto toma o cafezinho. A dona Isabel, do Santa Cruz, está sempre à procura de uma nova receita de culinária. O Seu Geraldo, não o dispensava, todos os dias, e fazia pilhas deles, em seu quarto, para o desespero de sua filha Maria Eleonora. O Moreira compra vários exemplares, aos sábados, na banca do William, o Pica-Pau. O investidor do mercado financeiro, procura no jornal as informações sobre a cotação do dólar e o valor das ações das empresas e das comodities, enquanto ajeita a gravata e verifica as mensagens no seu celular. O professor Hermes prefere os artigos de opinião. A dona Sônia, procura boas oportunidades de negócios nos classificados. E o Maurício, gosta tanto de jornal que acabou criando um, da banca para os bairros.
Encontra-se o jornal por toda parte. Na sala de espera dos profissionais liberais, nas padarias e mercados, nos balcões dos bares, e nos salões de beleza, destinados às mulheres e homens. O jornal traz informação e opinião, novidades e tendências, traz o passado para o presente, quando há necessidade de entender melhor a origem dos fatos. Traz imagens que emocionam, porque alegram e chocam. Reúne os mais diversos profissionais em todas as suas fases de produção. Proporciona a disseminação de ideias e a diversidade de pontos de vista de assuntos diversos de interesse humano. É um facilitador para quem deseja anunciar o seu produto, o seu serviço e para quem está à procura dos mesmos.
Este jornal Diário, que na data de hoje completa 130 anos é um caso à parte na história da imprensa local. Estão registrados nas suas páginas os mais importantes acontecimentos políticos, socioculturais e esportivos de Rio Claro. Não à toa, o Diário, é de fato, o arquivo histórico da família rio-clarense. As lutas pela abolição da escravatura, pela instauração da república, pela redemocratização do país, as conquistas de Velo Clube, do Rio Claro e do glorioso basquete, os grandes acontecimentos artísticos e culturais, o surgimento de talentos em todas as áreas de atividade humana, os embates políticos entre lideranças locais, estão todos eternizados nas páginas deste Diário para serem conferidos por leitores atuais, pesquisadores e historiadores.
Difícil dizer se o Major José David Teixeira, seu fundador, filho de barbeiro, e que corria todas as manhãs até a estação ferroviária, com seu lápis e bloquinho de notas, pra saber as mais novas e importantes notícias que corriam o país e o mundo, conforme relata o falecido cronista Midiel Christofoletti em uma de suas preciosas crônicas, aqui publicadas, poderia imaginar que depois de tantos anos, mais de cem, o seu sonho de levar a informação e a opinião ao público leitor rio-clarense estaria intacto e, mais do que nunca, vivo e atuante.
Cada proprietário depois dele, cada diretor, secretário, repórter, redator, depois dele, cada pessoa que tenha dedicado o seu conhecimento, tempo e suor a este jornal, ajudou a construir essa história. Devem se sentir honrados, felizes e satisfeitos. Fazer parte da história de um veículo de comunicação centenário e com atividades ininterruptas, como este Diário, é um privilégio.
Hoje é dia de festa. Parabéns pra você, Jornal Diário, do Rio Claro!
Geraldo J. Costa Jr é escritor; autor de “A Tarde Demora a Passar”, e de “O Intermediário” (Editora Lexia) e “Sob o Manto da Noite” (editora Multifoco); escreve eventualmente para jornais, sites e revistas. jcostajr2009@gmail.com

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA