O poder transformador do empreendedorismo

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É certo que empreender embute riscos e desafios. Mas ao mesmo tempo carrega em si um poder transformador ao abrir portas para a realização de sonhos, progresso financeiro e um sem número de oportunidades. As mulheres, por exemplo, que o digam.

Em pleno 2016 ainda encontramos casos de discriminação contra elas no mercado de trabalho. Segundo o mais recente relatório da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), o salário médio de uma mulher brasileira com ensino superior representa 62% do de um homem com igual escolaridade. Sem falar nas que recebem menos exercendo a mesma função que o sexo oposto, independentemente da escolaridade.

Apesar de distorções como as mencionadas, as mulheres – com mérito –  há tempos vêm ampliando seu espaço no universo profissional. O empreendedorismo também aparece como forma de se posicionar em condições mais justas já que, nesse campo, sucesso e ganhos são resultado de competência não de gênero, nem dependem de quem paga os vencimentos. Hoje 49% dos empreendedores iniciais no Brasil, aqueles com até três anos e meio de atividade, são do sexo feminino, de acordo com última pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgada pelo SEBRAE.

Como é de se esperar, as mulheres têm suas particularidades no jeito de conduzir o próprio negócio. Costumam ter mais tato do que os homens ao lidar com as pessoas, no geral são mais sociáveis, extrovertidas e preferem comunicar-se oralmente, características que facilitam os relacionamentos no dia a dia.

Além disso, são o que se chama de multitarefa, capazes de se desdobrar em várias atividades simultaneamente. Essa versatilidade não significa desorganização, pois elas são adeptas de rotinas bem definidas.

Outro destaque sobre as empreendedoras, particularmente as paulistas: são mais escolarizadas do que os homens donos de micro e pequenos negócios; 37% delas têm ensino superior completo ou mais. Os colegas do sexo masculino com essa qualificação são 31%.

O fato é que empreender surge como opção – principalmente em época de crise e desemprego crescente como a atual – para o sustento de milhões de lares; e a mulher, cada vez mais, assume o protagonismo. Apesar de, na maioria dos casos, cuidar dos afazeres domésticos, ela encontra no negócio próprio a flexibilidade para moldar seu horário e harmonizar tantas atribuições.

Seja por oportunidade, seja por necessidade, empreender oferece a possibilidade de desenvolvimento para os indivíduos e para o País. E é sempre bom frisar: economias fortes se fazem com empreendedorismo forte.
 Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP

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