Museu do Eucalipto comemora 100 anos de sua fundação

A origem do antigo Horto Florestal e Museu “Edmundo Navarro de Andrade” (hoje Floresta Estadual), tombados em 1977 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), relaciona-se com a expansão das estradas de ferro, no fim do século passado, diante da necessidade de madeira para dormentes, postes e combustível.

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Prédio do Museu do Eucalipto

Em face do alto custo do carvão de pedra, aliado à alta do câmbio e a um contínuo desmatamento, a Companhia Paulista de Estrada de Ferro (Ferrovia Paulista S.A.) empreendeu inovadora política de reflorestamento.
A CIA. PAULISTA solicitou ao Engenheiro Agrônomo Edmundo Navarro de Andrade (que lá trabalhou por trinta e nove anos), estudo sobre a melhor espécie de árvore para a formação de reservas florestais. Após prolongadas pesquisas e experiências com madeiras para exploração comercial (papel, aclimatação de diversas espécies, etc…), tendo optado pelo eucalipto para o reflorestamento de tais reservas.
Assim, foram criados pela CIA. PAULISTA dezoito Hortos Florestais; o de Rio Claro, destinado a Centro de Pesquisas, com uma área de novecentos e oitenta e seis (986) alqueires.
No Horto Florestal de Rio Claro foram plantados cerca de um milhão e quinhentos mil (1 500 000) pés de eucaliptos e no Horto de Camaquã, dois milhões (2 000 000).
Pelos estudos realizados e ações concretas, Navarro de Andrade recebeu em Washington no dia dois de junho de 1941 – indicação feita pelos técnicos Swingle e David Fairchild – a medalha “Meyer”, da Sociedade Americana de Genética (Frank Meyer naturalista, imigrante holandês que trabalhou ao redor do mundo estudando, coletando e enviando plantas ao Estados Unidos), e no Brasil foi agraciado com o “Mérito Florestal”.
Em 1908, fundou a revista “O Fazendeiro”, dirigida a todos os interessados pela cultura de vegetais em geral.
Fez várias viagens à Ásia, aos Estados Unidos, e à América Central, criando, em 1918, o “Museu do Eucalipto“, no Horto Florestal de Rio Claro, construído inteiramente com eucaliptos creosotados (inclusive a cobertura), sem similar em outra parte do mundo até os dias atuais.
O Museu conta com Coleção Entomológica de 34 200 espécies e outra, Zoológica, das espécies de animais que proliferavam no eucaliptal, obra importantíssima, instrutiva e didática, reconhecida pela comunidade científica mundial. Além de três “boomerangs” aborígenes de mais de 800 anos, confeccionados em madeira de eucalipto “paniculata”, doados ao engenheiro pelo Governo Australiano.
Edmundo Navarro de Andrade ocupou inúmeros cargos; foi membro de diversas instituições nacionais e internacionais (na Academia Paulista de Letras ocupou a cadeira n. 38, tendo como patrono Clemente Falcão Filho), e deixou excepcional e vasta obra técnica-científica. De 1930 a 1931, foi Secretário da Agricultura do Estado; esteve à frente do Conselho Florestal; dirigiu a Comissão de Matérias-Primas do Instituto de Defesa Nacional; sócio correspondente da Real Academia de Turim, das Sociedades American Foresters e da Brasileira de Agricultura e do Museu Nacional do Rio de Janeiro.
Faleceu no dia 1º de dezembro de 1941, na cidade de São Paulo.
Dos principais prédios da majestosa Floresta Estadual, com arquitetura de valor principalmente ambiental, destacam-se os do antigo Casarão Sede da Fazenda Santo Antonio (residência das famílias dos Barões de Piracicaba e de Navarro de Andrade); da Casa Sede Administrativa; da Casa das Toras (construída em madeira, abriga variadas toras de eucaliptos); a Casa de Captação D`Água (importante obra de vanguarda, creditada aos atuantes Edmundo Navarro de Andrade e Armando Navarro Sampaio (seu sobrinho, auxiliar e sucessor, também engenheiro agrônomo), diligentes e seriamente compromissados em promover o bem-estar de seus funcionários e preservar o meio ambiente); do prédio de moradia de funcionários; das casas de colonos (em 2004, num dos imóveis foi inaugurada a Biblioteca “Monteiro Lobato”); Centro de Convivência (todo construído em madeira) e da Capela de Santo Antônio dos Eucaliptos (restaurada em 2004, o altar; os santos – obra da Restauradora Olga C. Faneco – além da revitalização do seu acesso principal). Sem contar o belo Açude margeado de palmeiras imperiais e bambuzais. Jacarés, francos d’água, patos e paturis “pescam” seus alimentos entre nenúfares.
Cumpre ressaltar que a importante revitalização do Museu do Eucalipto, de relevo internacional, é de ser creditada à atuação zelosa e responsável da FUNDAÇÃO PARA A CONSERVAÇÃO E A PRODUÇÃO FLORESTAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. Sem contar o resgate da Casa de Captação D´Água (primeira Estação de Tratamento de Água de Rio Claro – E.T.A.), realizada em 2013 concomitantemente ao desassoreamento do Açude.
Anselmo Ap. Selingardi Jr.
Perito Judicial em Arqueologia e Documentação Histórica
Inscrição: N. 1417

 

Dr. Armando Navarro Sampaio (5º esq. Para a dir.) 1º Martinho Hunger – 3º Navarro de Andrade
Dr. Armando Navarro Sampaio (5º esq. Para a dir.) 1º Martinho Hunger – 3º Navarro de Andrade
Antigo casarão sede da Fazenda Santo Antônio
Antigo casarão sede da Fazenda Santo Antônio
Açude cuja água era captada para tratamento
Açude cuja água era captada para tratamento
Capela de Santo Antônio dos Eucaliptos
Capela de Santo Antônio dos Eucaliptos
Gabinete da casa sede usado pelos Drs. Navarro de Andrade e Armando Sampaio
Gabinete da casa sede usado pelos Drs. Navarro de Andrade e Armando Sampaio
Casa de Captação D´Água (primeira E.T.A. de Rio Claro)
Casa de Captação D´Água (primeira E.T.A. de Rio Claro)
Dr. Edmundo Navarro de Andrade
Dr. Edmundo Navarro de Andrade

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