Lobo teve homenagem póstuma na manhã desta segunda-feira

Cinzas do rotweiller que morreu por maus tratos do dono foram enterradas ontem

Cerca de 25 pessoas acompanharam na manhã dessa segunda-feira, a cerimônia de despedida do cão Lobo, o rotweiller que ganhou destaque nacional depois de ter sido arrastado e mutilado por seu dono, em Piracicaba. Cremado domingo à noite no Eden Pet de Campinas, as cinzas de Lobo foram enterradas e sobre elas foi plantado um pé de jasmim, na sede da ONG Vira Lata Vira Vida, localizada na estrada Rio Claro-Piracicaba.
A dra. Rafaela Rielli Penachi, veterinária do CCZ de Piracicaba e que deu o primeiro atendimento ao Lobo, iniciou a cerimônia, depositando a caixa com as cinzas no jardim.
A voluntária da Ong, a advogada rio-clarense Silvia Turolla, também participou das homenagens, cantando a Canção da América em homenagem ao Lobo. Um momento emocionante da cerimônia foi o minuto de silêncio que foi preenchido pelo uivo dos quase 390 cães moradores do abrigo.

Arrastado pelo dono
Lobo morreu na noite do último dia 15. Ele havia sido arrastado preso ao carro do dono por vários quarteirões, no último dia 2, em Piracicaba. O cão, que teve uma das patas dianteiras amputada logo após o caso, estava internado em uma clínica e sob os cuidados da ONG Vira-Lata Vira-Vida.
Em nota divulgada em seu site, a ONG afirma que Lobo morreu por “complicações no quadro clínico”.
Segundo duas testemunhas ouvidas pelo delegado Wilson Sabino, o cachorro estava preso por uma corda ao carro do dono, o mecânico Claudio César Messias, quando foi arrastado. Avisado, Messias disse que iria “acabar de matar” o animal, mas, após reação de moradores da região, deixou o local.
Em depoimento, Messias negou que tivesse intenção de machucar Lobo. Ele afirmou que tinha saído para passear com o animal na caçamba do carro e não viu quando ele caiu. Ao ver o estado do cão, achou que ele estava morto, ficou nervoso e foi embora.
“Ele imaginou que o animal não ia sobreviver. Não posso afirmar se houve intenção, mas de qualquer forma ele foi imprudente”, disse o delegado na ocasião. Segundo ele, em casos desse tipo não há indiciamento, apenas um encaminhamento para que a Justiça decida o que deve ser feito.

MULTA
A Polícia Ambiental de Piracicaba aplicou no último dia 9 uma multa de R$ 1.500 a Cláudio Messias.
Segundo o sargento da Polícia Ambiental Domingos Bertuolo, a autuação por mutilação de animal doméstico teve como base um laudo veterinário. “Não avaliamos a culpa dele. O que importa é que houve um resultado mutilador no animal, que sempre deve ser evitado pelo proprietário”, afirmou.